Powered By Blogger

segunda-feira, 24 de março de 2014

22. O urucum que era maçã



Comprei algumas maçãs no mercado. Gosto mais daquelas amarelas, nem verdes nem maduras demais. Enquanto comia uma delas, eu olhava para o quintal pela janela e tive uma ideia. Nós temos fruteiras de diversas espécies, por que não ter uma de maçã? Assim que terminei de comer retirei quatro sementes, peguei um copo descartável e fui para o quintal. A terra que estava em volta do pé de banana era escura, tinha a aparência de ser mais fértil, então abaixei e enchi o copo com ela, e fui até a torneira e molhei um pouquinho. Com um graveto fino abri quatro buraquinhos e coloquei uma semente em cada e fechei. Deixei o copo encima de um tijolo perto das bananeiras.
Duas semanas depois três haviam nascido, mas o último não quis aparecer. Com um mês havia uma plantinha, meu pesinho de maçã. Quando ela atingiu cerca de dez centímetros comecei a estranhar as folhas. Era diferente, não parecia com as de maçã. Contei para minha mãe e ela me disse a suspeita que acabou se confirmando. Alguns dias antes de eu plantar as sementes no copo, ela tinha jogado sementes de urucum, já usadas, no pé da bananeira quando estava lavando louças. Ela até desconfiou quando foi passar a enxada nos pesinhos que nasceram em volta das bananas, e viu que eram parecidos com minha macieira. Fui conferir e constatei. Era verdade. A maçã era urucum. Ai, ai! Bom demais pra ser verdade. Nós com uma fruteira dessas em casa. Mas eu ia gostar dela, mesmo que não pudesse dar frutos. Até hoje, depois de ter mudado de cidade, pergunto dela pra minha mãe quando falamos pelo telefone.
Passaram-se quatro anos e o urucum que era maçã cresceu cerca de um metro por ano. Cada safra rende uma sacada. Agora temos corante para dar e vender, vindo de um único pé. Minha mãe plantou a muda lá na chácara, pois tinha mais espaço, no quintal não cabia mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário