Comprei algumas maçãs no mercado. Gosto mais daquelas
amarelas, nem verdes nem maduras demais. Enquanto comia uma delas, eu
olhava para o quintal pela janela e tive uma ideia. Nós temos
fruteiras de diversas espécies, por que não ter uma de maçã?
Assim que terminei de comer retirei quatro sementes, peguei um copo
descartável e fui para o quintal. A terra que estava em volta do pé
de banana era escura, tinha a aparência de ser mais fértil, então
abaixei e enchi o copo com ela, e fui até a torneira e molhei um
pouquinho. Com um graveto fino abri quatro buraquinhos e coloquei uma
semente em cada e fechei. Deixei o copo encima de um tijolo perto das
bananeiras.
Duas semanas depois três haviam nascido, mas o último
não quis aparecer. Com um mês havia uma plantinha, meu pesinho de
maçã. Quando ela atingiu cerca de dez centímetros comecei a
estranhar as folhas. Era diferente, não parecia com as de maçã.
Contei para minha mãe e ela me disse a suspeita que acabou se
confirmando. Alguns dias antes de eu plantar as sementes no copo, ela
tinha jogado sementes de urucum, já usadas, no pé da bananeira
quando estava lavando louças. Ela até desconfiou quando foi passar
a enxada nos pesinhos que nasceram em volta das bananas, e viu que
eram parecidos com minha macieira. Fui conferir e constatei. Era
verdade. A maçã era urucum. Ai, ai! Bom demais pra ser verdade. Nós
com uma fruteira dessas em casa. Mas eu ia gostar dela, mesmo que não
pudesse dar frutos. Até hoje, depois de ter mudado de cidade,
pergunto dela pra minha mãe quando falamos pelo telefone.
Passaram-se quatro anos e o urucum que era maçã
cresceu cerca de um metro por ano. Cada safra rende uma sacada. Agora
temos corante para dar e vender, vindo de um único pé. Minha mãe
plantou a muda lá na chácara, pois tinha mais espaço, no quintal
não cabia mais.

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