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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

45. O incêndio


A torneira foi requisitada pelo vizinho do lado, pois a casa pegou fogo. Chama o bombeiro. E uma pobre florzinha morreu no incêndio. No meio dos destroços o bombeiro encontrou uma pobre moça aparentemente desmaiada, ao lado estava sua escova de cabelo.
O namorado da moça odeia atrasos, por isso, quando não apareceu no encontro marcado ele foi atrás dela para saber o que houve. Porém quando chegou viu apenas cinzas e começou a chorar. Para sua felicidade Amélia, a sua amada, aparece e lhe dá um grande abraço.



Relíquia de 2011, feito na aula de Redação, Expressão Oral e Estilística da professora Flaviana Xavier.


44. O Arraiá

Fui comprar um chapéu de palha para ir para o Arraiá. Lá tinha de tudo. Banana caramelada, pipoca, algodão doce. Tinha também banca de revista para os amantes da leitura. Porém, para poder participar da leitura, era necessário escovar bem os dentes, já que havia uma audição na portaria. E também para tirar o mau hálito, causado pela cebola.
O que me chamou muita atenção naquela festa, é que ela tinha um bom divulgador. Júlio Cesar, o filho do dono da padaria. O cara sabia muito bem demonstrar os produtos da festa.
Mas da música ouvia-se um tucano batendo o bico na madeira e parecia um martelo. Opa! Acabei me distraindo. É melhor eu ir que a quadrilha já vai começar.


Relíquia de 2011, feito na aula de Redação, Expressão Oral e Estilística da professora Flaviana Xavier.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

43. Paralisação

Devo ter dormido no máximo quatro horas essa noite. Levanto quase sem enxergar onde estou indo. Ponho a água do café para esquentar enquanto tomo banho. Banho de gato claro, pois o tempo é curto. E a calça novamente me dá trabalho para entrar. Café tomado, roupa vestida, fones em seus devidos lugares; verifico três vezes se não estou esquecendo de alguma coisa antes de fechar a porta e sair. Ando apressadamente na alameda até chegar a margem da avenida LO4 e paro, há muitos carros na pista. “Droga vou acabar me atrasando desse jeito”. Passa carro, e mais carro, mais carro. Surge uma brecha, mas um bendito motoqueiro se mete nela. Olho pro relógio, os minutos adiantados que eu tinha não valem mais nada. Finalmente uma vaga, mas tenho que correr e por um tris não sou atropelada. Atravesso o canteiro e a beira da outra pista, mais uma espera, mas dessa vez é mais rápida.
Passo por alamedas que parecem desertas. Uma obra aqui outra ali, os pedreiros gritam lá de cima. Como sempre, com meus fones finjo que não escutei, não dou atenção mesmo. Uma ambulância do SAMU passa apressada com sua sirene, naquelas proximidades fica a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Norte. Consigo passar a metade da 103 Norte, incluindo a avenida LO2. Passo em uma estreita rua com duas vias. Vejo a hora e ainda está em tempo.
Chego ao ponto da Galeria Bela Palma. Está cheio como sempre, queria pelo menos um espacinho pra sentar, minhas pernas doem. Escuto algumas pessoas reclamando, mas não consigo entender. Cinco minutos e nada de ônibus, poderia ser o Eixão ou 18 que pra mim estava bom. Mais cinco minutos. É estranho, pois nesse horário teria passado pelo menos 3 Eixões e mais alguns de outras linhas. Totaliza 20 minutos e já estou inquieta, com o fone tento prestar atenção no os outros falam, mas não consigo, então desligo a música. Ouço algo nada agradável: hoje não teria ônibus.
É nesse momento que começo a passar mal. Não posso chegar atrasada no trabalho, meu gerente é muito rígido e não aceita desculpas. Lembro-me das contas a pagar, dos remédios pra ansiedade, não posso perder emprego, não posso. Como farei para chegar lá? A sede fica na 1104 Sul. Preciso arranjar uma carona. Muitas pessoas estão falando ao mesmo tempo, estou ficando com dor de cabeça; alguns poucos retornam para suas casas. Não conheço ninguém ali, da empresa sou a única que mora na região norte, não tem como pegar carona com meus colegas. Minha única amiga lá que talvez fizesse esse favor, se mudou para o Rio Grande do Norte há seis meses. Não tenho opção, ligo para meu gerente e explico a situação, ele me diz que o problema não é dele e que eu que vire. Desligo com lágrimas brotando, tento me esconder para não ser vista naquele estado e começo a tremer. Mas alguém me viu, uma garota de talvez uns 20 anos, ela traz pra mim um copo de água de coco. Tento negar, mas com sua insistência acabo aceitando. Ela explica que é secretária de um advogado na 904 sul. O namorado iria buscá-la de carro, então me ofereceu carona. Prontamente aceito, apesar de achar perigoso por não conhecê-los, é a única opção.
Em quinze minutos ele chega, já havia mais duas pessoas. Pelo que consegui entender são colegas de trabalho dele, que também ficaram sem ônibus. Eu fico no banco de trás. Descemos a Teotônio, paramos na 503 sul, pois era ali que o cara trabalhava e os outros dois desceram. Continuamos, agora na NS2 e passamos direto para a 1104, preferiram me deixar primeiro, achei melhor. Agradeci tanto a eles.

Entrei como uma bala no escritório, não estava a fim de ouvir reclamações. Segundo o noticiário que estava tocando no rádio do carro, o motivo da paralisação dos ônibus é a greve dos motoristas. Somente com tempo pude me recuperar e pensar melhor sobre o assunto, não é somente eu insatisfeita com as condições de trabalho. Cerca de algumas horas depois, o presidente da empresa informou que aqueles que se transportavam com o ônibus, naquele dia não seriam penalizados pelo atraso ou o não comparecimento.

Esta recebeu 10 na aula de Estética do professor Fred Salomé.



domingo, 1 de junho de 2014

42. Pequena Antônia

     
29. 05. 2014

     Quando eu era criança achava que era um tipo de mutante, que tinha superpoderes. Eu podia falar, mas ninguém ouvia, achava isso muito engraçado. Pobre criança, mal sabia que aquilo era eram meus pensamentos, por isso as outras pessoas não podiam me escutar.


PS.: Antônia Lopes <3

sábado, 24 de maio de 2014

41. Ela sabe que eu sei

Eu sei
Ela não sabe que eu sei
Eu sei que ela não sabe
que eu sei

Saber disso é um privilégio
Uma informação extraordinária
E também um sacrifício
Eu conto ou não conto

Mas e se ela sabe que eu sei
E não me conta para não admitir
Eu sei e não vou contar para ela
Vai que ela conta pra alguém



40. (Des) Conhecido

Ele está vindo
Caramba não olha
Não crie expectativas
Ele não sabe que você existe

Ele está vindo
Calça de tectel cinza
Regata preta colada
Tênis e boné pretos

Ele está vindo
Qual será o nome dele?
Será que ele tem namorada?
Ou é casado

Ele anda muito rápido
Está se aproximando
Moreno, alto, olhos verdes
Chega perto

Eu derreto por dentro
Ele dá um sorriso
Passa por mim
Diz: Oi Carol

Como assim?
Ele sabe meu nome?
Ele me conhece?
Nossa que vergonha

Recordo-me de sua voz
É meu colega de sala
Há dois anos
E nunca nos falamos

O vejo todos os dias
Pensava que nem me conhecia
Ai! Eu vou morrer
Ele disse oi Carol



39. Passeio noturno

Saio de casa
não sei em busca de que
Está escuro, é noite
São três da madrugada

A avenida é comprida
e está deserta
A luz amarela do farol
está piscando

Encontro dois cães
dormindo na calçada
E perto deles, também dormindo
dois homens ao pé da parede

Continuo a andar sem um destino
Me aproximo da esquina
E vejo algumas meninas meio estranhas
Usam roupas curtas, salto e
Umas duas usam peruca, são cinco
Elas estão lá paradas “no ponto”

Atravesso a rua do cruzamento
sigo a avenida em direção à
saída da cidade
O caminhão do lixo passa
O único barulho da noite

Chego na praça central
Me sento do banco
Me deito no banco
olho para cima

Céu negro e muitas estrelas
Uma nuvem branca de estrelas
Caminho do leite
Via láctea

Fecho os olhos e me concentro
No silêncio
No vento tocando minha pele
Ventinho frio dá um sono

Acordo em minha cama
Outra vez esses sonhos estranhos
Mas quase reais
Volto a dormir e a sonhar...