Domingo
31.03.2013
A história se repete desde a segunda,
terceira, quarta série. Na quinta é só ter uma aula chata e eu me junto a mais
alguns colegas e vou para a praia. Hoje aula a de matemática mal começou e
Patrícia já veio me cutucar para sair. Nós sempre fazemos assim: cada um sai
separadamente e já fica combinado de alguém que ficar levar nossos cadernos e
depois nós pegamos.
É quase como missão de agente secreto, não
podemos deixar ninguém que esteja no corredor ou no pátio perceber para onde
estamos indo. Se perceber é enfiar logo banheiro ou ir para o bebedouro. Sorte
nossa é que a escola tem uma parte do muro que fica escondida atrás dela e com
espaço para qualquer um se esconder ou usar de banheiro. Que nojo! O muro já
tem uns buracos que cabem pés e mão, no jeitinho para os fujões.
Saltamos e ganhamos a rua. Estamos Patrícia,
Daniela, Pedro e eu. Descemos e subimos as ladeiras esquecendo a possibilidade
de nossos pais nos verem. Chegamos ao rio. Eu caio na água e sempre com nado cachorrinho,
ainda estou aprendendo a nadar. Sento na areia pensando no que tinha feito e
penso ainda no vou fazer, pois tenho que explicar de onde surgiu aquela roupa
molhada. Já havia conseguido entrar escondida em casa uma vez, mas nas outras
não deu. Pior ainda foi o dia que nos esquecemos de pedir pra alguém pegar
nossos cadernos e nossos pais foram chamados na escola. É melhor eu banhar mais
porque não sei o que me espera em casa. Arroz e feijão ou cipó de malva e
gervão.

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