Domingo 31.03.213
A
música toca, um xote legal. Os pés dela balançam com ritmo, está com vontade de
dançar. Mas ela está morrendo de vergonha e medo, afinal alguns dos convidados
daquele aniversário são conhecidos, a maioria não é. Há mais homens que
mulheres na festa, só que ninguém a chama. Ela está frustrada e com raiva, pois
aquela que se diz sua amiga, a deixou dizendo que voltava logo e ao olhar no
relógio percebe que já se passou duas horas.
O
DJ muda para eletrônica e ela se sente bem e levanta para dançar, ainda que um
pouco receosa. De vez em quando vai até a mesa e pega um pedaço de bolo e enche
o copo com refrigerante. A música é mudada para tecnobrega e ela novamente se
senta. Só que dessa vez os conhecidos começam a chama-la para dançar, mas não
aceita. Ela está com vergonha e na verdade prefere dança solo.
Assim
a festa termina. A barriga entupida de bolo, refrigerante e cachorro quente. O
nome e rosto de alguns convidados na cabeça. Balões na mão. O bombom foi
esquecido na mesa, alguém vai ser feliz com ele. Ela dançou com ninguém. A
amiga não voltou. Ainda bem que a festa era na casa de um vizinho.

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