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terça-feira, 8 de abril de 2014

28. Um pinguim no Jalapão

 Em um canto da Antártida um pinguim inconformado com sua natureza, fez a seguinte questão: por que pinguins têm que viver em lugares fechados? Qual seria problema em sentir calor. Por causa de sua indagação Jones era motivo de chacota dentre as pessoas de sua colônia. Mas um dia a própria natureza resolveu pregar-lhe uma peça. Quando estava em mais de suas pescas, um pássaro tentou roubar sua pesca, ao tentar evitar ele escorregou e caiu na laguna. Tudo estaria normal, se não fosse o fato de a água ter começado a soltar bolhas e Jones foi puxado por um rodamoinho para o fundo e mais fundo. Mas este não existia, o pinguim continuou sendo puxado e ele pensando que já estava morto. A força o jogou para fora da água, só que não estava mais na Antártida. A água não estava gelada, o vento não era gelado e quando abriu os olhos viu algo que nunca tinha visto: árvores, muitas árvores. Óbvio que estranhou aquele lugar, mas ficou feliz por finalmente realizar seu sonho, sentiria calor. Rapidamente saiu da água e partiu para sua exploração em busca de algum animal que poderia lhe dizer onde exatamente estava. Andou por alguns minutos até encontrar uma cobra que não lhe deu a mínima atenção, ela passou se arrastando e sacudia a ponta do rabo fazendo um barulho semelhante ao de um chocalho. Continuou a andar pela mata até chegar a um outro tipo de vegetação, era baixa com folhas finas e muito compridas e a maior parte estava seca, era capim. Lá ele encontrou um grupo de animais, eram emas. Primeiro elas correram assustadas, depois uma curiosa voltou e as outras a acompanharam em seguida.
__ Quem é, ou o que é você?
__ Nunca vimos nada desse tipo por aqui.
__ Sou Jones, um pinguim.
__ Um pin o quê?
__ Um pinguim. Eu vivo no polo sul, um lugar muito gelado e muito branco.
__ Se é de um lugar gelado, o que faz aqui?
__ Sempre quis saber como é calor. Mas acabei parando aqui sem querer, a água me trouxe.
__ Ah! Mais um. __ Disse uma das emas.
__ Como assim mais um?
__ É que há dois meses apareceu um elefante dizendo a mesma coisa. Deve ter alguma coisa misteriosa acontecendo com aquela lagoa. Já tentamos, mas não conseguimos fazer ele voltar para casa.
__ Não sei se quero voltar para casa. Lá todos dizem que sou louco só por querer sentir calor.
__ Vamos levar ele para conhecer Java.
__ Não. Você sabe como ele é com relação a estranhos aqui.
__ É melhor agora do que ele descobrir que a gente já sabia.
__ É melhor o senhor montar em mim, porque com essas perninhas não vai muito longe. __ Jones tentou de todo jeito subir nas costas da ema, foi preciso outras emas o ajudarem com a cabeça. E lá se foram sete emas e um pinguim nas costas.
__ As senhoras poderiam me dizer onde estou.
__ Me respeite rapaz que sou macho. __ Falou umas das emas.
__ Desculpe senhor, não sabia. __ Enquanto isso as outras emas caíram na risada.
__ É melhor prestar mais atenção se quiser sobreviver aqui. __ Disse a ema macho. __ O senhor está no lugar que os humanos chamam de Jalapão, num país chamado Brasil.
__ Nossa! Então fui parar muito longe. __ Falou e ficou pensativo. __ Quem é Java.
__ Java é o líder dos animais dessa região, ele comanda tudo por aqui.
__ Ele é um caititu que diz que é um javali, só porque o nome é mais bonito. __ Falou a ema macho.
__ Quem disse isso? __ Uma voz grave se espalhou por aquele ambiente e fez as emas paralisarem.
__ Perdão mestre. __ Falou a ema macho.
__ Fale dessa forma outra vez e verá o que irá te acontecer.
__ Sim senhor.
__ Mas que criatura é esta? __ Falou o caititu que finalmente se mostrou e deu um susto em todos, fazendo-os dar um pulo para trás e Jones caiu de costas no chão.
__ Não sabia que eu era tão feio assim. __ Falou Java, enquanto os outros se recuperavam do susto. __ Então, me digam que tipo de animal é este?
__ Um pinguim, senhor. Ele veio de um lugar gelado chamado Antárdida.
__ Chegou aqui do mesmo jeito que o Carlos, o elefante africano.
__ Que azar eim meu filho. __ Falo Java. __ Venha conosco para a grande reunião, estamos justamente tentando uma forma de fazer o Carlos voltar para casa, você também poderá voltar.
__ Não quero voltar. Ninguém lá gosta de mim. Além do mais, estou realizando meu sonho, estou sentindo essa temperatura boa, quentinha.
__ Já que prefere assim. Bem-vindo a nossa comunidade. É melhor irmos agora, pois já vai anoitecer.
Na grande reunião a raposa apresentou a solução para o elefante. Um pouco antes de Jones chegar, uma capivara também chegou nas redondezas pela mesma forma. Ela tinha entrado na água e foi parar na China e depois voltou. E ficou claro para todos, segundo o que ela falou, que para retornar era necessário apenas entrar na água, exatamente no lugar em que saiu. No dia seguinte uma parte dos animais acompanhou o elefante até o rio e presenteou sua volta para casa. O pinguim ainda continuou lá, porém depois de alguns dias começou a sentir saudade de casa, além disso passou se sentir mal, sentia tonturas. Piorava a cada dia que passava, o calor era demais para ele, precisava voltar para casa mesmo sem querer. A assembleia dos animais decidiu que Jones voltaria para a Antártida com a companhia de uma das emas.
Eles pularam na água, que borbulhou até engolir os dois e a força os puxou diretamente para as águas geladas do polo sul e saíram na laguna que iniciou a aventura. Os dois animais ficaram na beira da água desacordados por horas e não perceberam quando apareceram dezenas de pinguins e os arrastaram para a colônia. Jones acordou com tontura, demorou um pouco a lembrar o que tinha acontecido, até que...
__ Charlote! Charlote! Onde está você?
__ Calma filho. Sua amiga já está acordada um bom tempo e está passeando com as suas irmãs.
__ Mãe. Que saudade de você, e do papai. __ Os três deram um longo abraço.

Jones estava feliz em voltar, pois se deu conta que cada animal tinha sua natureza, seu hábitat natural. Para ele não deu certo, mas ema Charlote conseguiu se adaptar e resolveu ficar por lá. Mas de tempos em tempos os dois e mais um grupo pulava na laguna e iam visitar os amigos no Jalapão. Ficaram tempo suficiente para não ficarem doentes, mas nem todos os animais do cerrado argumentaram o frio Antártico. Eles também viajaram para visitar Carlos na África. Essas viagens foram feitas por gerações, até serem esquecidas completamente.

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