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sexta-feira, 9 de maio de 2014

33. Coração Rubro

 Por todo o mundo existem histórias sobre joias que supostamente deram má sorte a seus donos. Acidentes e mortes terríveis e inexplicáveis que fizeram pessoas se livrarem de um objeto tão desejado por muitos. Esta será apenas mais uma dessas histórias que será apresentada por mim, Victor Barros.

Séculos atrás um membro da minha família que era cobrador impostos de um rei, recebeu um pagamento em um baú de joias. No momento do transporte estavam: o condutor da carruagem, mais quatro soldados a cavalo fazendo a segurança e Zacarias, o cobrador, dentro da carruagem com o baú. Ele era uma pequena caixa de madeira, não tinha tranca a chave, apenas um dispositivo que o mantinha fechado. Depois de anos trabalhando naquele cargo, pela primeira vez Zacarias se sentiu tentado pelo tesouro que carregava. Parecendo hipnotizado, não resistiu a abriu a caixa. Brincos, pulseiras, colares de ouro, prata com diamantes, safiras, esmeraldas, mas a única coisa que chamava atenção era um colar de ouro com um enorme pingente, uma pedra vermelha no formato de coração. Ela estava dentro de uma caixa de vidro, embaixo dela estava escrito “Coração Rubro” e encima “Se esta caixa for aberta, uma grande maldição cairá sobre seu portador por onde quer que ele vá, pelo tempo que permanecer com o Coração Rubro”. Mas a joia parecia também ter outro efeito, ela se fazia ser desejada.
A carruagem chegou no depósito dos impostos e a caixa foi guardada junto com muitas outras. Porém um objeto estava faltando e quando o rei foi avisado, mandou buscar a cabeça do ladrão Enquanto isso Zacarias estava a quilômetros de distância com um cavalo que roubou do estábulo. Ele fugiu e abandonou a esposa e três filhos pequenos, que morreram em um incêndio na casa deles um dia depois. O agora ex-cobrador seguiu sozinho por florestas, vales e desertos, o cavalo morreu picado por uma cobra venenosa. Zacarias não encontrou mais nenhum ser humano, morreu afogado em um rio que tentou atravessar.

Dias depois um pescador encontrou um corpo na água e teve a maior surpresa quando foi carregá-lo para a margem para poder enterrar. Em um dos bolsos ele encontrou um belíssimo colar de ouro com um pingente de pedra vermelha em formato de coração. Ernesto largou o corpo no rio e voltou para o seu vilarejo a pé, enquanto isso o seu barco de pesca desatou a corda e desceu com as águas. Quando estava chegando ele notou um enorme volume de fumaça e muita gritaria, seu vilarejo estava sendo atacado por saqueadores e ele não escapou dessa. Seu tesouro foi roubado justamente pelo líder do bando, que lhe passou uma navalha no pescoço.

Leonardo deu sua nova aquisição para sua mãe, pouco antes do seu esconderijo ser descoberto pela guarda real de Soquenstá e todo o bando ser preso e decapitado. Os pertencentes dos presos ficaram sobre custódia do chefe da guarda, incluindo o Coração Rubro. Julgando que ninguém saberia a quem pertencia, Joaquim retirou a joia das coisas apreendidas e levou para sua casa. Foi um lindo presente para sua filha que fazia aniversário, ela gostou que o usou em um baile no castelo, onde foi vista por um fazendeiro estrangeiro. Por ele Bianca foi raptada, violentada e morta.

Em Eraum, Nicola fez um leilão de seus pertences, incluindo terras, joias, animais, casas; pois de uma hora para outra adquiriu uma dívida impagável com o governo de seu país, e ainda estava sendo investigado pela polícia por vários crimes como sequestro e assassinato. Um rico fazendeiro arrematou a grande maioria das propriedades e as joias, que deu para sua esposa. Assim que terminou suas negociações neste país, Edgar embarcou no grande navio que atravessaria o oceano Atlântico até voltar para a América. Mas pouco antes de aportar o casco bateu em um enorme recife e o navio afundou na costa de onde hoje é conhecido como Suriname e lá permaneceu por séculos guardando a joia de sangue.

Como sei disso tudo? Eles me contaram, todos os que morreram por causa “dela”. Eu também fui uma vítima desavisada.

Eu era um explorador e fiquei fascinado com a notícia que recebi. Um navio naufragado foi localizado na costa do Suriname, possivelmente datado de 1457. Ele afundou contendo milhões em objetos de valor. Contratei uma equipe especializada e em questão de meses já estávamos catalogando cada peça que encontrávamos. Uma em particular brilhava mais que todas as outras, o Coração Rubro, que tratamos com todo cuidado e colocamos em minha exposição particular em casa em Brasília. Porém fui vítima de ladrões que roubaram todas a minhas coleções. Amarraram a mim e a minha família sentados no sofá da sala e nos mataram um por um. Agora Coração Rubro pode estar em qualquer lugar, sem achar nenhum poder que a pare, sem ninguém saber de onde ela veio.

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