Por todo o mundo existem histórias sobre joias que supostamente
deram má sorte a seus donos. Acidentes e mortes terríveis e
inexplicáveis que fizeram pessoas se livrarem de um objeto tão
desejado por muitos. Esta será apenas mais uma dessas histórias que
será apresentada por mim, Victor Barros.
Séculos atrás um membro da minha família que era cobrador impostos
de um rei, recebeu um pagamento em um baú de joias. No momento do
transporte estavam: o condutor da carruagem, mais quatro soldados a
cavalo fazendo a segurança e Zacarias, o cobrador, dentro da
carruagem com o baú. Ele era uma pequena caixa de madeira, não
tinha tranca a chave, apenas um dispositivo que o mantinha fechado.
Depois de anos trabalhando naquele cargo, pela primeira vez Zacarias
se sentiu tentado pelo tesouro que carregava. Parecendo hipnotizado,
não resistiu a abriu a caixa. Brincos, pulseiras, colares de ouro,
prata com diamantes, safiras, esmeraldas, mas a única coisa que
chamava atenção era um colar de ouro com um enorme pingente, uma
pedra vermelha no formato de coração. Ela estava dentro de uma
caixa de vidro, embaixo dela estava escrito “Coração Rubro” e
encima “Se esta caixa for aberta, uma grande maldição cairá
sobre seu portador por onde quer que ele vá, pelo tempo que
permanecer com o Coração Rubro”. Mas a joia parecia também ter
outro efeito, ela se fazia ser desejada.
A carruagem chegou no depósito dos impostos e a caixa foi guardada
junto com muitas outras. Porém um objeto estava faltando e quando o
rei foi avisado, mandou buscar a cabeça do ladrão Enquanto isso
Zacarias estava a quilômetros de distância com um cavalo que roubou
do estábulo. Ele fugiu e abandonou a esposa e três filhos pequenos,
que morreram em um incêndio na casa deles um dia depois. O agora
ex-cobrador seguiu sozinho por florestas, vales e desertos, o cavalo
morreu picado por uma cobra venenosa. Zacarias não encontrou mais
nenhum ser humano, morreu afogado em um rio que tentou atravessar.
Dias depois um pescador encontrou um corpo na água e teve a maior
surpresa quando foi carregá-lo para a margem para poder enterrar. Em
um dos bolsos ele encontrou um belíssimo colar de ouro com um
pingente de pedra vermelha em formato de coração. Ernesto largou o
corpo no rio e voltou para o seu vilarejo a pé, enquanto isso o seu
barco de pesca desatou a corda e desceu com as águas. Quando estava
chegando ele notou um enorme volume de fumaça e muita gritaria, seu
vilarejo estava sendo atacado por saqueadores e ele não escapou
dessa. Seu tesouro foi roubado justamente pelo líder do bando, que
lhe passou uma navalha no pescoço.
Leonardo deu sua nova aquisição para sua mãe, pouco antes do seu
esconderijo ser descoberto pela guarda real de Soquenstá e todo o
bando ser preso e decapitado. Os pertencentes dos presos ficaram
sobre custódia do chefe da guarda, incluindo o Coração Rubro.
Julgando que ninguém saberia a quem pertencia, Joaquim retirou a
joia das coisas apreendidas e levou para sua casa. Foi um lindo
presente para sua filha que fazia aniversário, ela gostou que o usou
em um baile no castelo, onde foi vista por um fazendeiro estrangeiro.
Por ele Bianca foi raptada, violentada e morta.
Em Eraum, Nicola fez um leilão de seus pertences, incluindo terras,
joias, animais, casas; pois de uma hora para outra adquiriu uma
dívida impagável com o governo de seu país, e ainda estava sendo
investigado pela polícia por vários crimes como sequestro e
assassinato. Um rico fazendeiro arrematou a grande maioria das
propriedades e as joias, que deu para sua esposa. Assim que terminou
suas negociações neste país, Edgar embarcou no grande navio que
atravessaria o oceano Atlântico até voltar para a América. Mas
pouco antes de aportar o casco bateu em um enorme recife e o navio
afundou na costa de onde hoje é conhecido como Suriname e lá
permaneceu por séculos guardando a joia de sangue.
Como sei disso tudo? Eles me contaram, todos os que morreram por
causa “dela”. Eu também fui uma vítima desavisada.
Eu era um explorador e fiquei fascinado com a notícia que recebi. Um
navio naufragado foi localizado na costa do Suriname, possivelmente
datado de 1457. Ele afundou contendo milhões em objetos de valor.
Contratei uma equipe especializada e em questão de meses já
estávamos catalogando cada peça que encontrávamos. Uma em
particular brilhava mais que todas as outras, o Coração Rubro, que
tratamos com todo cuidado e colocamos em minha exposição particular
em casa em Brasília. Porém fui vítima de ladrões que roubaram
todas a minhas coleções. Amarraram a mim e a minha família
sentados no sofá da sala e nos mataram um por um. Agora Coração
Rubro pode estar em qualquer lugar, sem achar nenhum poder que a
pare, sem ninguém saber de onde ela veio.

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