Os Mance vivem no fundo do rio Tocantins, mais exatamente no lago de
Palmas. Eles são protegidos por uma cúpula mágica que cobre a sua
cidade. Têm a aparência de uma capivara, mas são uma espécie
mutante que desenvolveu raciocínio, tinham o tamanho de um rato
comum. Apesar da aparência, eles são anfíbios, mas gostam muito do
seco, por isso a época da estiagem é muito aguardada porque nesse
período o nível da água abaixa e facilita o acesso à superfície.
Chegou o esperado momento e foram separadas várias equipes para a
expedição. Porém ocorreu um problema com a última equipe, eles
cometeram um deslize e foram capturados. Dois cientistas os viram
banhando na fonte da Praça dos Girassóis, os pegaram em potes de
vidro e levaram para o laboratório. Os conselheiros escolheram cinco
representantes para irem em busca dos prisioneiros, três rapazes e
duas moças, eles eram treinadíssimos agentes de segurança. Além
disso os Mance tinham uma habilidade especial de se sentirem, de se
localizarem, o que facilitaria que achassem os outros.
Os cinco agentes partiram para sua missão pelas ruas palmenses.
Chegaram ao centro da cidade e de lá se espalharam pelas quadras
para procurarem melhor. Dois foram para a região norte e três
seguiram para o sul. Foram mais de seis horam de buscas até um deu
um sinal positivo na quadra 502 sul, um laboratório. Secreto foi
encontrado embaixo da antiga prefeitura. Os outros quatro seguiram
para lá; apesar de ser noite eles conseguiam enxergar muito bem e
encontraram o dispositivo que abria a passagem, um pequeno botão no
alto do mastro onde se colocava a bandeira do Brasil. Ao acionarem o
botão a rampa que levava a porta do prédio abriu-se ao meio,
revelando uma escada que levava para baixo. Quatro entraram com
cautela, um ficou do lado de fora por segurança. O salão tinha
cerca de 35x15 metros de área, estava cheio de prateleiras com tubos
de ensaio com substâncias soltando bolhas, tinha muitos aparelhos,
muitas máquinas. Porém o que chamou a atenção foi uma grande mesa
que estava no centro, encima dela estavam cinco gaiolas com um Mance
em cada. Tinha uma gaiola vazia, os agentes preocupados foram atrás
do que estava faltando. O encontraram encima de balcão com vários
fios ligados a ele, e dois homens que pareciam tentar se comunicar.
Ficaram paradas atrás de uma caixa observando aquele acontecimento
incrível.
__ Está tudo O.k. com o dispositivo que está instalado nas cordas
vocais. __ Falou um dos homens.
__ Terceiro estágio de testes em três, dois, um…
Ficou silencio no ambiente por alguns segundos até soar uma voz
eletrônica. Era o Mance que estava falando em linguagem humana. O
espanto foi tanto dos cientistas como dos agentes que estavam de
olho.
__ Você nos entende? __ Perguntou um dos humanos.
__ Sim. Entendo. __ Foi a resposta, que fez os cientistas festejarem.
__ Só quero que saiba que não queremos lhe fazer mal.
__ Ah! É. As gaiolas são bem amigáveis.
__ Era só uma medida de precação. Não sabemos se vocês são
hostis, se são perigosos.
__ Vocês que são perigosos para nós.
__ Mas como?! Nós estudamos muitos meios de manter a natureza a
salvo.
__ Então nos solte.
__ Vamos fazer um acordo. Nós os soltamos e vocês nos deixam
estudá-los, conhecê-los, saber como funciona seu ecossistema.
__ Isso já é com o nosso líder. Só ele pode decidir.
__ Então vamos fazer assim, nós vamos soltá-los e vocês vão
pedir permissão para seu líder. Mas só você vai, os outros vão
ficar de garantia.
E assim fizeram. Soltaram ele e o levaram até a beira do lago.
Enquanto isso os agentes soltaram os outros prisioneiros, limparam o
laboratório eliminando qualquer vestígio da presença deles ali, e
foram para a beira do lago. Os cientistas estavam lá esperando e os
dez Mances ficaram escondidos na mata até que um sexto agente, um
sentinela, apareceu e disse que o líder negou o pedido. Então eles
foram para outra passagem e sumiram no fundo do lago. E naquele dia
fizeram uma assembleia extraordinária.
__ Por séculos nos mantivemos a distância dos humanos e é assim
que devemos ficar. Por isso as expedições estarão suspensas até
segunda ordem. __ Falou o líder. Naquela noite dois agentes foram
até as casas dos cientistas e colocaram neles a poção do
esquecimento.