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sexta-feira, 9 de maio de 2014

30. Dog, o gato

 O dia estava lindo para passear e seu Mariano percebeu isso assim que acordou. Tomou seu café da manhã, colocou a coleira em Dog e saiu. Foi andando pela calçada e chegou até a praça do seu bairro, que estava cheia, de pessoas e de animais de todos os tipos. A maioria das pessoas olhava para ele com estranheza, outras achavam graça e riam, é que Mariano tinha a peculiaridade, na verdade o Dog que tinha, apesar do nome ele não era um gato. Desde filhote ele foi criado como um cachorro e cresceu pensando ser um. Houve vezes em que seu miado soou como um latido. Ele protegia o dono com ferocidade, enfrentando até mesmo cães perigosos. Quando alguém lhe dizia que ele era um gato ele pulava encima com muita raiva.
Sua realidade mudou quando chegou em uma fase crucial em sua vida. Estava envelhecendo e precisava de uma companheira, mas nenhuma cadela o quis. Em um certo dia ele estava passando em frente a um prédio espelhado e parou para olhar o seu reflexo, se olhou detalhe por detalhe para saber o que ele tinha de diferente dos outros cães. Esteve distraído por vários minutos, até que percebeu a presença de um animal com traços idênticos aos seus. Ele foi até lá, o outro estava revirando uma lata de lixo. Quando saiu, os dois ficaram frente a frente, aí Dog percebeu que o outro era uma fêmea e finalmente aceitou que era um gato, mas sem deixar a identidade que já tinha.

Dog levou a gata para casa, Mariano a recebeu com alegria. Eles tiveram várias ninhadas que se espalharam pela vizinhança, mas alguns ainda ficaram. Como eram muitos, passaram passear sem coleira, mas vários gatinhos com espírito de cachorro.

terça-feira, 8 de abril de 2014

29. A cerca

 No condado de Lox a paz reinava. Há muito tempo existiu uma criatura que aterrorizava a região, mas ninguém soube como ela parou de atacar. Na verdade era um homem que foi enfeitiçado e foi transformado, ficando da cintura para baixo com o corpo de gorila e da cintura para cima com o corpo de leão. Ele era devorador, e dezenas, centenas de pessoas desapareceram em um ano que ele esteve livre. O que ninguém sabia era que o que estava contendo ele agora era a cerca em volta de uma casa antiga em ele estava. Ele não podia sair dali senão voltaria a querer atacar as pessoas.
Para a má sorte dos cidadãos de Lox a feiticeira que criou o monstro descobriu que ele estava preso. Disfarçada de uma jovem ela foi até a cerca e ficou chamando por sua criatura que resistia e não saía. Cada dia ela assumia uma forma diferente, uma jovem mais bela que a anterior, porém ele resistiu. Até que a feiticeira teve sua melhor ideia, assumiu a forma de Milena a antiga namorada do rapaz. A essa ele não resistiu, quebrou uma estaca da cerca e passou, quando se aproximou sua amada se transformou em seu pesadelo.
__ Está livre para cumprir sua missão.

A criatura voltou a atacar, só que para a decepção da feiticeira o que ele atacou foi ela, comendo a sua cabeça. O feitiço foi quebrado e enfim George pode voltar para casa, onde todos pensavam que já estava morto, pelo tempo que ficou desaparecido. Com medo de ser morto pela população, ele se mudou com a sua família para outro lugar, onde ninguém os conhecia.

28. Um pinguim no Jalapão

 Em um canto da Antártida um pinguim inconformado com sua natureza, fez a seguinte questão: por que pinguins têm que viver em lugares fechados? Qual seria problema em sentir calor. Por causa de sua indagação Jones era motivo de chacota dentre as pessoas de sua colônia. Mas um dia a própria natureza resolveu pregar-lhe uma peça. Quando estava em mais de suas pescas, um pássaro tentou roubar sua pesca, ao tentar evitar ele escorregou e caiu na laguna. Tudo estaria normal, se não fosse o fato de a água ter começado a soltar bolhas e Jones foi puxado por um rodamoinho para o fundo e mais fundo. Mas este não existia, o pinguim continuou sendo puxado e ele pensando que já estava morto. A força o jogou para fora da água, só que não estava mais na Antártida. A água não estava gelada, o vento não era gelado e quando abriu os olhos viu algo que nunca tinha visto: árvores, muitas árvores. Óbvio que estranhou aquele lugar, mas ficou feliz por finalmente realizar seu sonho, sentiria calor. Rapidamente saiu da água e partiu para sua exploração em busca de algum animal que poderia lhe dizer onde exatamente estava. Andou por alguns minutos até encontrar uma cobra que não lhe deu a mínima atenção, ela passou se arrastando e sacudia a ponta do rabo fazendo um barulho semelhante ao de um chocalho. Continuou a andar pela mata até chegar a um outro tipo de vegetação, era baixa com folhas finas e muito compridas e a maior parte estava seca, era capim. Lá ele encontrou um grupo de animais, eram emas. Primeiro elas correram assustadas, depois uma curiosa voltou e as outras a acompanharam em seguida.
__ Quem é, ou o que é você?
__ Nunca vimos nada desse tipo por aqui.
__ Sou Jones, um pinguim.
__ Um pin o quê?
__ Um pinguim. Eu vivo no polo sul, um lugar muito gelado e muito branco.
__ Se é de um lugar gelado, o que faz aqui?
__ Sempre quis saber como é calor. Mas acabei parando aqui sem querer, a água me trouxe.
__ Ah! Mais um. __ Disse uma das emas.
__ Como assim mais um?
__ É que há dois meses apareceu um elefante dizendo a mesma coisa. Deve ter alguma coisa misteriosa acontecendo com aquela lagoa. Já tentamos, mas não conseguimos fazer ele voltar para casa.
__ Não sei se quero voltar para casa. Lá todos dizem que sou louco só por querer sentir calor.
__ Vamos levar ele para conhecer Java.
__ Não. Você sabe como ele é com relação a estranhos aqui.
__ É melhor agora do que ele descobrir que a gente já sabia.
__ É melhor o senhor montar em mim, porque com essas perninhas não vai muito longe. __ Jones tentou de todo jeito subir nas costas da ema, foi preciso outras emas o ajudarem com a cabeça. E lá se foram sete emas e um pinguim nas costas.
__ As senhoras poderiam me dizer onde estou.
__ Me respeite rapaz que sou macho. __ Falou umas das emas.
__ Desculpe senhor, não sabia. __ Enquanto isso as outras emas caíram na risada.
__ É melhor prestar mais atenção se quiser sobreviver aqui. __ Disse a ema macho. __ O senhor está no lugar que os humanos chamam de Jalapão, num país chamado Brasil.
__ Nossa! Então fui parar muito longe. __ Falou e ficou pensativo. __ Quem é Java.
__ Java é o líder dos animais dessa região, ele comanda tudo por aqui.
__ Ele é um caititu que diz que é um javali, só porque o nome é mais bonito. __ Falou a ema macho.
__ Quem disse isso? __ Uma voz grave se espalhou por aquele ambiente e fez as emas paralisarem.
__ Perdão mestre. __ Falou a ema macho.
__ Fale dessa forma outra vez e verá o que irá te acontecer.
__ Sim senhor.
__ Mas que criatura é esta? __ Falou o caititu que finalmente se mostrou e deu um susto em todos, fazendo-os dar um pulo para trás e Jones caiu de costas no chão.
__ Não sabia que eu era tão feio assim. __ Falou Java, enquanto os outros se recuperavam do susto. __ Então, me digam que tipo de animal é este?
__ Um pinguim, senhor. Ele veio de um lugar gelado chamado Antárdida.
__ Chegou aqui do mesmo jeito que o Carlos, o elefante africano.
__ Que azar eim meu filho. __ Falo Java. __ Venha conosco para a grande reunião, estamos justamente tentando uma forma de fazer o Carlos voltar para casa, você também poderá voltar.
__ Não quero voltar. Ninguém lá gosta de mim. Além do mais, estou realizando meu sonho, estou sentindo essa temperatura boa, quentinha.
__ Já que prefere assim. Bem-vindo a nossa comunidade. É melhor irmos agora, pois já vai anoitecer.
Na grande reunião a raposa apresentou a solução para o elefante. Um pouco antes de Jones chegar, uma capivara também chegou nas redondezas pela mesma forma. Ela tinha entrado na água e foi parar na China e depois voltou. E ficou claro para todos, segundo o que ela falou, que para retornar era necessário apenas entrar na água, exatamente no lugar em que saiu. No dia seguinte uma parte dos animais acompanhou o elefante até o rio e presenteou sua volta para casa. O pinguim ainda continuou lá, porém depois de alguns dias começou a sentir saudade de casa, além disso passou se sentir mal, sentia tonturas. Piorava a cada dia que passava, o calor era demais para ele, precisava voltar para casa mesmo sem querer. A assembleia dos animais decidiu que Jones voltaria para a Antártida com a companhia de uma das emas.
Eles pularam na água, que borbulhou até engolir os dois e a força os puxou diretamente para as águas geladas do polo sul e saíram na laguna que iniciou a aventura. Os dois animais ficaram na beira da água desacordados por horas e não perceberam quando apareceram dezenas de pinguins e os arrastaram para a colônia. Jones acordou com tontura, demorou um pouco a lembrar o que tinha acontecido, até que...
__ Charlote! Charlote! Onde está você?
__ Calma filho. Sua amiga já está acordada um bom tempo e está passeando com as suas irmãs.
__ Mãe. Que saudade de você, e do papai. __ Os três deram um longo abraço.

Jones estava feliz em voltar, pois se deu conta que cada animal tinha sua natureza, seu hábitat natural. Para ele não deu certo, mas ema Charlote conseguiu se adaptar e resolveu ficar por lá. Mas de tempos em tempos os dois e mais um grupo pulava na laguna e iam visitar os amigos no Jalapão. Ficaram tempo suficiente para não ficarem doentes, mas nem todos os animais do cerrado argumentaram o frio Antártico. Eles também viajaram para visitar Carlos na África. Essas viagens foram feitas por gerações, até serem esquecidas completamente.

27. Donzelo em perigo

 Flavinho é um príncipe diferente. Ele nasceu sendo o vigésimo sexto filho do rei Marcos com sua terceira esposa. Ninguém prestava muita atenção nele, então não notaram que ele não era igual aos outros príncipes. Não atirava flechas, não andava a cavalo, não praticava esgrima, muito menos salvava donzelas em perigo. Preferia pintar quadros, cuidar dos pequenos animais do castelo do reino de Pistal, era responsável pela beleza e vida dos cabelos de suas nove irmãs, quando via um inseto saía correndo. Mas ninguém estava nem aí, prestavam atenção em seus próprios afazeres.
Um dia Flavinho foi atrás de uma ovelha que se perdeu. Acabou entrando em uma área de mata fechada, densa. Nela havia todo tipo de animais, inclusive um perigoso urso que encontrou o rastro do príncipe. O animal deu um urro estridente e sua presa deu grito agudo e com todo o seu tamanho ele foi chegando perto, mais perto, mais perto. Estava quase cheirando o pescoço de Flavinho que estava paralisado. O urso levantou-se em duas patas e ficou com três vezes a sua altura normal. “Estou morto”. Pensou ser seus últimos instantes.
Pow! Ouviu-se um estouro, o urso fugiu assustado e Flavinho caiu de joelhos sem forças nas pernas. De repente começou a ouvir um som incompatível com aquela situação: uma gargalhada, com voz feminina.
__ Oh! Um donzelo em perigo. __ Fala a garota com vestimentas masculinas, montada a cavalo e com uma espingarda cano duplo na mão. __ Vamos rapaz, sua família já deve estar preocupada.
__ Obrigado! Mas ninguém deve ter percebido que eu saí.
__ Que drama vossa alteza.
__ Quem é você? Nunca te vi no castelo. Como sabe quem sou eu?
__ Sou Mitra de Jar, filha do chefe da guarda do castelo. Eu estava atrás daquele urso quando te achei. Aliás, sua ovelhinha está aqui.
__ Ah! Certo. Obrigado!
__ Mas que a cena foi engraçada, isso foi.
__ É. Agora percebo que realmente deveria ter ido para as aulas de auto-defesa e aprendido a usar uma arma.
__ Mas ainda tem tempo. Se quiser eu te ajudo.

E foi assim que Flavinho aprendeu algo útil para sua vida, mas sem deixar de fazer o que gostava. E sempre com sua nova amiga Mitra.

26. O gigante de ferro

 Em um dado momento no planeta Terra, humanidade vive uma realidade diferente. O sistema econômico faliu, a tecnologia se tornou bem para poucos. O planeta conseguiu se recuperar dos desastres causados pelos humanos, agora ele é dois terços azul e um terço verde mais alguns desertos de controle da própria natureza. Mas uma organização detém o poder do controle do mundo. A Quartix.
A família de Tábata vive em um lugar entre montanhas, no país de Tocant no hemisfério sul. Eles sobrevivem da agricultura como as muitas outras famílias que vivem lá. Mas em um dia o gigante de ferro (robô de cerca de 23 metros de altura, que são protetores feitos pela Quartix, pois a nova selva criou animais muito perigosos para os humanos) daquela região perdeu o controle. Muitos tentaram desativá-lo, mas tinham apenas armas rústicas.
Crianças começaram a desaparecer do vilarejo, o gigante os estava capturando. Ele obrigava a todos a tocar instrumentos musicais e quando ele não gostava atirava a vítima em um precipício. Tábata estava entre eles, mas cada vez que a criatura chamava alguém, ela se escondia. Atrás de outra pessoa, de uma árvore, de uma rocha. Mas acabou sendo descoberta.
__ Tábata é a sua vez. __ Disse o gigante. __ Não adianta mais se esconder.
Ele deu um violoncelo para ela tocar. Conseguiu um pouco, mas não foi o suficiente, a fera ficou furiosa, a agarrou e a segurou pendurada pelos pés no abismo. Ela gritou o quanto pode, até soltar uma nota mais aguda que a lembrou da canção que cantava com sua mãe na lavoura e começou a cantar. O gigante já tinha soltado uma de suas pernas, só que parou de repente e a colocou de volta no chão. Tábata continuou a cantar e como mágica, encantou. Na verdade as ondas causadas pela canção reativou as funções avariadas do robô, que voltou a funcionar normalmente.

Os que foram jogados no abismo caíram em um lago de lama e lôdo, foram salvos por agentes da Quartix e voltaram para suas famílias. Depois a vez de Tábata e seus companheiros, que pode voltar a cantar com sua mãe e agora com seus novos e antigos amigos.

25. A avenida principal

 Esta é a história da amizade de três garotas. Fernanda e Maria eram irmãs, elas nasceram em Tocantinópolis-TO. Telma se mudou de Palmas e foi morar perto da casa das meninas. Elas se conheceram em um dia que a luz acabou e elas foram brincar na rua, que era a principal da cidade, onde também estava o cemitério logo ao final.
Passaram-se os anos e na adolescência as três continuaram amigas. Dividindo segredos dos romances, as brigas porque duas delas se apaixonaram pelo mesmo garoto. Fernanda se casou aos 24 anos, Telma aos 27, três anos depois de Fernanda. Maria demorou ainda cinco anos para se casar e teve duas filhas. Telma teve duas meninas e um menino. Fernanda teve dois filhos. Minha irmã Andréia e eu, Cláudio.

Minha mãe morreu com 78 anos de causas naturais, como dizem os médicos, eu digo que foi de velhice mesmo. Minha tia foi seis anos depois e foi enterrada ao lado da irmã. Dois anos atrás foi a vez da Telma. Minha irmã disse que tinha espaço sobrando, então a última amiga foi enterrada ao lado das outras. E hoje estão lá as três juntas na avenida principal, mas quem é que sabe.

24. Vovô Bile

 Todo ano eu passo o verão na casa do meu avô Bile, o pai da minha mãe. Já tem cinco anos que a minha avó Margarida morreu. Na época eu tinha 6 anos, minha mãe não deixou eu ir, na verdade não me disse o que tinha acontecido. Só descobri três meses depois quando minha mãe tentou me impedir de passar as férias no sítio.
Hoje temos apenas meu avô, o Luiz e a Adriana, filhos dos ajudantes do meu avô, e eu. Todo verão inventamos novas brincadeiras. Ano passado tivemos competição de contação de histórias de terror, que foi vencida todas as noites pelo Bile. Esse ano ele teve a ideia de fazer uma caça ao tesouro. As pistas estariam espalhadas pelo sítio em qualquer lugar. Por segurança a brincadeira só era válida durante o dia para não nos perdermos.
As regras foram passadas no primeiro dia à noite. Diferentes objetos deveriam ser encontrados e juntamente co eles estariam as pistas do próximo objeto. Adriana perguntou quando e como começaria o jogo.
__ Calma. Amanhã vocês vão saber. Agora vou contar a história do dromedário que queria ser um camelo...
No outro dia quando acordamos tinha um bilhete na mesinha de cabeceira. Fiquei super curiosa e o peguei para ler. “Limpo aquilo que consome todos os dias. Aquele branquinho, pequeno que vem dentro de uma casca amarela e levinha. Ele tem um casamento perfeito com um sujeito que ora está listrado ora está vermelho. Quem sou eu?”
__ Caramba! O avô pegou pesado.
Comecei a procurar em todos os lugares sem ao menos saber o significado do enigma. Revirei o meu quarto e Bile chegou no momento em eu jogava as roupas do baú encima da cama.
__ O que está fazendo garotinha?
__ Estou procurando o que está no bilhete. Ainda não sei o que é, mas vai que encontro mesmo assim.
__ Que ânimo. Antes de escovar os dentes, tomar o café. Vamos fazer assim: você escova, come, arruma essa bagunça, aí depois pode explorar o sítio.
__ Ah não! Vô.
__ Anda mocinha!
Depois de todos tomarmos café da manhã, partirmos para nossa aventura do dia. Essa parada serviu para eu pensar melhor sobre a pista e acabei descobrindo o que é. A coisa branca é o arroz que casa com feijão. O que limpa o arroz é o pilão. Fui correndo para o barracão onde são guardadas as sementes, pois lá tinha um, mas não achei nada. Sorte que lembrei do pilão que fica perto das bananeiras, que é movido à água. Procurei bastante até encontrar um envelope em um saquinho, escondido embaixo de uma pedra perto do pilão. Abri o saco e o envelope, tinha uma moeda grande prateada, uma moeda antiga datada de 1876. Fiquei atenta à próxima pista.
“Algum maluco já fez sorvete de mim. Muitos acham estranho. Minha primavera é inverno. Estou no norte, nordeste e centro-oeste. Posso ser simples e às vezes arisco. Muitos gostam de mim, mas muitos também não me suportam, enjoam ao sentir meu cheiro. Quem sou eu?” Essa foi muito fácil. Obvio que é o pequi. O próximo objeto e a próxima pista devem estar no pequizeiro, o problema é saber qual. Temos um pomar deles. Ah! Já sei. Meus avós escreveram as iniciais deles em um dos pequizeiros e atrás dele eu fui. No pomar tinham cerca de trinta pés de pequi, alguns eram diferentes seus galhos pareciam cordas penduras. Andei bastante até encontrar um B e um M entalhados em um tronco, e lá estava um saquinho com outra moeda (esta era de ouro de 1892) e a próxima pista.
__ Gabriela vem me ajudar no almoço. __ Dona Joana gritou da janela da cozinha. Ela é a mãe do Luiz e da Adriana.
__ Já vou. __ Seria bom dá um descanso e fui ajudá-la.
Depois do almoço nós três voltamos para a aventura. Cada um foi desvendar o enigma dos bilhetes. No meu estava escrito assim: “Faço bem e às vezes faço mal. Pintou sujeira, estou lá. Na maioria das vezes sou duas caras. Quem sou eu?” O vovô dessa vez facilitou as coisas, a peça do enigma é uma enxada. Como não saberia, se foi a coisa que me atormentou por muito tempo. Fui até o quarto das ferramentas e procurei enxada por enxada e encontrei em uma que estava encostada atrás da porta. Uma moeda de bronze de 1746 e outro bilhete. “Pena que a brincadeira acabou, mas o tempo está rolando tic tac tic tac.” Fui correndo atrás de todos os relógios da casa, parece que o Bile fez a mesma coisa com os outros, pois nos encontramos diversas vezes correndo pela casa. Encontrei o último objeto atrás do relógio do meu quarto, uma moeda de prata de 1627 e um bilhete diferente. “Espero que tenha tido uma grande aventura. Nos próximos dias terão boas surpresas. Te espero no lugar de sempre.” Fiquei super curiosa, tive que esperar até a noite.
Em volta da fogueira todos mostraram suas conquistas, eu minhas moedas, Luiz as figurinhas antigas e a Adriana as joias da minha avó. Bile disse que nós poderíamos ficar com os objetos, que eles valiam muito, mas só poderíamos usar quando fossemos mais velhos. Terminamos a noite imaginando o que o vovô estava aprontando para os dias seguintes.