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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

45. O incêndio


A torneira foi requisitada pelo vizinho do lado, pois a casa pegou fogo. Chama o bombeiro. E uma pobre florzinha morreu no incêndio. No meio dos destroços o bombeiro encontrou uma pobre moça aparentemente desmaiada, ao lado estava sua escova de cabelo.
O namorado da moça odeia atrasos, por isso, quando não apareceu no encontro marcado ele foi atrás dela para saber o que houve. Porém quando chegou viu apenas cinzas e começou a chorar. Para sua felicidade Amélia, a sua amada, aparece e lhe dá um grande abraço.



Relíquia de 2011, feito na aula de Redação, Expressão Oral e Estilística da professora Flaviana Xavier.


44. O Arraiá

Fui comprar um chapéu de palha para ir para o Arraiá. Lá tinha de tudo. Banana caramelada, pipoca, algodão doce. Tinha também banca de revista para os amantes da leitura. Porém, para poder participar da leitura, era necessário escovar bem os dentes, já que havia uma audição na portaria. E também para tirar o mau hálito, causado pela cebola.
O que me chamou muita atenção naquela festa, é que ela tinha um bom divulgador. Júlio Cesar, o filho do dono da padaria. O cara sabia muito bem demonstrar os produtos da festa.
Mas da música ouvia-se um tucano batendo o bico na madeira e parecia um martelo. Opa! Acabei me distraindo. É melhor eu ir que a quadrilha já vai começar.


Relíquia de 2011, feito na aula de Redação, Expressão Oral e Estilística da professora Flaviana Xavier.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

43. Paralisação

Devo ter dormido no máximo quatro horas essa noite. Levanto quase sem enxergar onde estou indo. Ponho a água do café para esquentar enquanto tomo banho. Banho de gato claro, pois o tempo é curto. E a calça novamente me dá trabalho para entrar. Café tomado, roupa vestida, fones em seus devidos lugares; verifico três vezes se não estou esquecendo de alguma coisa antes de fechar a porta e sair. Ando apressadamente na alameda até chegar a margem da avenida LO4 e paro, há muitos carros na pista. “Droga vou acabar me atrasando desse jeito”. Passa carro, e mais carro, mais carro. Surge uma brecha, mas um bendito motoqueiro se mete nela. Olho pro relógio, os minutos adiantados que eu tinha não valem mais nada. Finalmente uma vaga, mas tenho que correr e por um tris não sou atropelada. Atravesso o canteiro e a beira da outra pista, mais uma espera, mas dessa vez é mais rápida.
Passo por alamedas que parecem desertas. Uma obra aqui outra ali, os pedreiros gritam lá de cima. Como sempre, com meus fones finjo que não escutei, não dou atenção mesmo. Uma ambulância do SAMU passa apressada com sua sirene, naquelas proximidades fica a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Norte. Consigo passar a metade da 103 Norte, incluindo a avenida LO2. Passo em uma estreita rua com duas vias. Vejo a hora e ainda está em tempo.
Chego ao ponto da Galeria Bela Palma. Está cheio como sempre, queria pelo menos um espacinho pra sentar, minhas pernas doem. Escuto algumas pessoas reclamando, mas não consigo entender. Cinco minutos e nada de ônibus, poderia ser o Eixão ou 18 que pra mim estava bom. Mais cinco minutos. É estranho, pois nesse horário teria passado pelo menos 3 Eixões e mais alguns de outras linhas. Totaliza 20 minutos e já estou inquieta, com o fone tento prestar atenção no os outros falam, mas não consigo, então desligo a música. Ouço algo nada agradável: hoje não teria ônibus.
É nesse momento que começo a passar mal. Não posso chegar atrasada no trabalho, meu gerente é muito rígido e não aceita desculpas. Lembro-me das contas a pagar, dos remédios pra ansiedade, não posso perder emprego, não posso. Como farei para chegar lá? A sede fica na 1104 Sul. Preciso arranjar uma carona. Muitas pessoas estão falando ao mesmo tempo, estou ficando com dor de cabeça; alguns poucos retornam para suas casas. Não conheço ninguém ali, da empresa sou a única que mora na região norte, não tem como pegar carona com meus colegas. Minha única amiga lá que talvez fizesse esse favor, se mudou para o Rio Grande do Norte há seis meses. Não tenho opção, ligo para meu gerente e explico a situação, ele me diz que o problema não é dele e que eu que vire. Desligo com lágrimas brotando, tento me esconder para não ser vista naquele estado e começo a tremer. Mas alguém me viu, uma garota de talvez uns 20 anos, ela traz pra mim um copo de água de coco. Tento negar, mas com sua insistência acabo aceitando. Ela explica que é secretária de um advogado na 904 sul. O namorado iria buscá-la de carro, então me ofereceu carona. Prontamente aceito, apesar de achar perigoso por não conhecê-los, é a única opção.
Em quinze minutos ele chega, já havia mais duas pessoas. Pelo que consegui entender são colegas de trabalho dele, que também ficaram sem ônibus. Eu fico no banco de trás. Descemos a Teotônio, paramos na 503 sul, pois era ali que o cara trabalhava e os outros dois desceram. Continuamos, agora na NS2 e passamos direto para a 1104, preferiram me deixar primeiro, achei melhor. Agradeci tanto a eles.

Entrei como uma bala no escritório, não estava a fim de ouvir reclamações. Segundo o noticiário que estava tocando no rádio do carro, o motivo da paralisação dos ônibus é a greve dos motoristas. Somente com tempo pude me recuperar e pensar melhor sobre o assunto, não é somente eu insatisfeita com as condições de trabalho. Cerca de algumas horas depois, o presidente da empresa informou que aqueles que se transportavam com o ônibus, naquele dia não seriam penalizados pelo atraso ou o não comparecimento.

Esta recebeu 10 na aula de Estética do professor Fred Salomé.



domingo, 1 de junho de 2014

42. Pequena Antônia

     
29. 05. 2014

     Quando eu era criança achava que era um tipo de mutante, que tinha superpoderes. Eu podia falar, mas ninguém ouvia, achava isso muito engraçado. Pobre criança, mal sabia que aquilo era eram meus pensamentos, por isso as outras pessoas não podiam me escutar.


PS.: Antônia Lopes <3

sábado, 24 de maio de 2014

41. Ela sabe que eu sei

Eu sei
Ela não sabe que eu sei
Eu sei que ela não sabe
que eu sei

Saber disso é um privilégio
Uma informação extraordinária
E também um sacrifício
Eu conto ou não conto

Mas e se ela sabe que eu sei
E não me conta para não admitir
Eu sei e não vou contar para ela
Vai que ela conta pra alguém



40. (Des) Conhecido

Ele está vindo
Caramba não olha
Não crie expectativas
Ele não sabe que você existe

Ele está vindo
Calça de tectel cinza
Regata preta colada
Tênis e boné pretos

Ele está vindo
Qual será o nome dele?
Será que ele tem namorada?
Ou é casado

Ele anda muito rápido
Está se aproximando
Moreno, alto, olhos verdes
Chega perto

Eu derreto por dentro
Ele dá um sorriso
Passa por mim
Diz: Oi Carol

Como assim?
Ele sabe meu nome?
Ele me conhece?
Nossa que vergonha

Recordo-me de sua voz
É meu colega de sala
Há dois anos
E nunca nos falamos

O vejo todos os dias
Pensava que nem me conhecia
Ai! Eu vou morrer
Ele disse oi Carol



39. Passeio noturno

Saio de casa
não sei em busca de que
Está escuro, é noite
São três da madrugada

A avenida é comprida
e está deserta
A luz amarela do farol
está piscando

Encontro dois cães
dormindo na calçada
E perto deles, também dormindo
dois homens ao pé da parede

Continuo a andar sem um destino
Me aproximo da esquina
E vejo algumas meninas meio estranhas
Usam roupas curtas, salto e
Umas duas usam peruca, são cinco
Elas estão lá paradas “no ponto”

Atravesso a rua do cruzamento
sigo a avenida em direção à
saída da cidade
O caminhão do lixo passa
O único barulho da noite

Chego na praça central
Me sento do banco
Me deito no banco
olho para cima

Céu negro e muitas estrelas
Uma nuvem branca de estrelas
Caminho do leite
Via láctea

Fecho os olhos e me concentro
No silêncio
No vento tocando minha pele
Ventinho frio dá um sono

Acordo em minha cama
Outra vez esses sonhos estranhos
Mas quase reais
Volto a dormir e a sonhar...



38. Vida

Nasce, cresce
Reproduz e morre
Ser vivo
Ser morto

Criança brinca, estuda
Jovem estuda, festeja, protesta
Adulto trabalha, casa
Idoso descansa, viaja

Criança trabalha, estuda
Jovem casa, estuda
Adulto protesta, viaja
Idoso festeja, descansa, descansa

Criança nasce, morre
Jovem cresce, morre
Adulto reproduz, morre
Idoso vive, morre

Criança morre
Jovem morre
Adulto morre
Idoso morre



37. O casamento feliz

Feito em 19 de junho de 2007
na aula de português

O sol reluz nas águas do rio
Sentimentos vagam pelo ar
Vento que sopra sombrio
Estrela do céu que desaba no mar

Apagam as luzes dos faróis
Todos fazem a sesta
O vento balança os lençóis
Nem parece que ali houve uma festa

Pratos espalhados pelo chão
Aquele dia era especial
Flores embelezam o salão
Marcando o amor de um casal

Naquele dia houve o casamento
O padre foi abençoar
Rosas brancas voam ao vento
Juraram para sempre um ao outro amar



sexta-feira, 9 de maio de 2014

36. No fundo do lago de Palmas

 Os Mance vivem no fundo do rio Tocantins, mais exatamente no lago de Palmas. Eles são protegidos por uma cúpula mágica que cobre a sua cidade. Têm a aparência de uma capivara, mas são uma espécie mutante que desenvolveu raciocínio, tinham o tamanho de um rato comum. Apesar da aparência, eles são anfíbios, mas gostam muito do seco, por isso a época da estiagem é muito aguardada porque nesse período o nível da água abaixa e facilita o acesso à superfície.
Chegou o esperado momento e foram separadas várias equipes para a expedição. Porém ocorreu um problema com a última equipe, eles cometeram um deslize e foram capturados. Dois cientistas os viram banhando na fonte da Praça dos Girassóis, os pegaram em potes de vidro e levaram para o laboratório. Os conselheiros escolheram cinco representantes para irem em busca dos prisioneiros, três rapazes e duas moças, eles eram treinadíssimos agentes de segurança. Além disso os Mance tinham uma habilidade especial de se sentirem, de se localizarem, o que facilitaria que achassem os outros.
Os cinco agentes partiram para sua missão pelas ruas palmenses. Chegaram ao centro da cidade e de lá se espalharam pelas quadras para procurarem melhor. Dois foram para a região norte e três seguiram para o sul. Foram mais de seis horam de buscas até um deu um sinal positivo na quadra 502 sul, um laboratório. Secreto foi encontrado embaixo da antiga prefeitura. Os outros quatro seguiram para lá; apesar de ser noite eles conseguiam enxergar muito bem e encontraram o dispositivo que abria a passagem, um pequeno botão no alto do mastro onde se colocava a bandeira do Brasil. Ao acionarem o botão a rampa que levava a porta do prédio abriu-se ao meio, revelando uma escada que levava para baixo. Quatro entraram com cautela, um ficou do lado de fora por segurança. O salão tinha cerca de 35x15 metros de área, estava cheio de prateleiras com tubos de ensaio com substâncias soltando bolhas, tinha muitos aparelhos, muitas máquinas. Porém o que chamou a atenção foi uma grande mesa que estava no centro, encima dela estavam cinco gaiolas com um Mance em cada. Tinha uma gaiola vazia, os agentes preocupados foram atrás do que estava faltando. O encontraram encima de balcão com vários fios ligados a ele, e dois homens que pareciam tentar se comunicar. Ficaram paradas atrás de uma caixa observando aquele acontecimento incrível.
__ Está tudo O.k. com o dispositivo que está instalado nas cordas vocais. __ Falou um dos homens.
__ Terceiro estágio de testes em três, dois, um…
Ficou silencio no ambiente por alguns segundos até soar uma voz eletrônica. Era o Mance que estava falando em linguagem humana. O espanto foi tanto dos cientistas como dos agentes que estavam de olho.
__ Você nos entende? __ Perguntou um dos humanos.
__ Sim. Entendo. __ Foi a resposta, que fez os cientistas festejarem.
__ Só quero que saiba que não queremos lhe fazer mal.
__ Ah! É. As gaiolas são bem amigáveis.
__ Era só uma medida de precação. Não sabemos se vocês são hostis, se são perigosos.
__ Vocês que são perigosos para nós.
__ Mas como?! Nós estudamos muitos meios de manter a natureza a salvo.
__ Então nos solte.
__ Vamos fazer um acordo. Nós os soltamos e vocês nos deixam estudá-los, conhecê-los, saber como funciona seu ecossistema.
__ Isso já é com o nosso líder. Só ele pode decidir.
__ Então vamos fazer assim, nós vamos soltá-los e vocês vão pedir permissão para seu líder. Mas só você vai, os outros vão ficar de garantia.
E assim fizeram. Soltaram ele e o levaram até a beira do lago. Enquanto isso os agentes soltaram os outros prisioneiros, limparam o laboratório eliminando qualquer vestígio da presença deles ali, e foram para a beira do lago. Os cientistas estavam lá esperando e os dez Mances ficaram escondidos na mata até que um sexto agente, um sentinela, apareceu e disse que o líder negou o pedido. Então eles foram para outra passagem e sumiram no fundo do lago. E naquele dia fizeram uma assembleia extraordinária.

__ Por séculos nos mantivemos a distância dos humanos e é assim que devemos ficar. Por isso as expedições estarão suspensas até segunda ordem. __ Falou o líder. Naquela noite dois agentes foram até as casas dos cientistas e colocaram neles a poção do esquecimento.

35. Completamente azul

 Jamily é uma garota diferente. Ela tem dois olhos, duas pernas, dois braços? Sim, tem. Mas poderia não, qual o problema? Na verdade ela seria muito diferente se convivesse com nós humanos, mas a realidade dela é outra. Seu mundo está em um universo paralelo, outra dimensão. Nele tudo é azul, não existem outras cores, apenas variações de tons de azul. As pessoas, os animais, as casas, as árvores, a comida, tudo mesmo era dessa cor. Então já dá para imaginar como é a Jamily?
A história dela é a seguinte. Há boatos que o seu pai é um humano, que um dia por acidente atravessou o limite e chegou lá, em planeta Água. Os assim chamados Zumam tinham aparência humana, na verdade eram iguais apesar da cor, a diferença é que eram bem menores. Seus adultos tinham o tamanho e feições de nossas crianças. Essa era a alteração genética de Jamily, cresceu demais, ficou com mais que o dobro que o Zumam mais alto do planeta. Já deu para notar o problemão. Ela sofreu muito na infância; na escola, na rua. Mas quando já era quase adulta ela se transformou em uma celebridade, virou apresentadora de programa de TV. Evoluiu tanto que hoje é dona da própria emissora.

Ela está em busca de conseguir realizar seu grande sonho. Conhecer o lugar de onde seu pai veio. O planeta Terra.

34. Canetas e isqueiros. Cadê?

 Aquela mesa retangular estava completamente reta e retangular. Porém, mais uma esferográfica estava rolando, indo em direção ao chão e sabe-se lá onde pararia.
Você já se perguntou onde vão parar todas as “canetas Bic” que já perdeu? Eu também. Principalmente as vermelhas e pretas, porque sempre sobravam apenas as azuis. Desde a escola até hoje na faculdade, elas me fogem as mãos. São por diversas formas. Caem no chão e se enfiam embaixo de algum móvel, provavelmente. Alguém pede emprestado e nunca mais devolve. Ou a história que um maluco (ou não) me contou um dia, que já disseram para ele que essas canetas são dispositivos espiões alienígenas (como uma câmera) que desapareciam ao serem recolhidos por seus donos.
Os isqueiros da Su parecem ir para o mesmo caminho das canetas. Ela é fumante há três anos e já perdi a conta de quantos ela já comprou. Fósforo não adianta, desaparecem do mesmo jeito. Ela vive aqui em casa pedindo um emprestado e já conseguiu perder muitos destes. Até já cogitei fazer um chaveiro personalizado, por que se perdesse o isqueiro, a chave de casa ia junto, então ela tomaria mais cuidado.

Às vezes penso que haja um lugar, talvez mágico, ou não, onde todas essas coisas possam estar. Canetas, isqueiros, fósforos, borrachas, brincos, lápis, cabos USB, ideias para monografia (piada)...

33. Coração Rubro

 Por todo o mundo existem histórias sobre joias que supostamente deram má sorte a seus donos. Acidentes e mortes terríveis e inexplicáveis que fizeram pessoas se livrarem de um objeto tão desejado por muitos. Esta será apenas mais uma dessas histórias que será apresentada por mim, Victor Barros.

Séculos atrás um membro da minha família que era cobrador impostos de um rei, recebeu um pagamento em um baú de joias. No momento do transporte estavam: o condutor da carruagem, mais quatro soldados a cavalo fazendo a segurança e Zacarias, o cobrador, dentro da carruagem com o baú. Ele era uma pequena caixa de madeira, não tinha tranca a chave, apenas um dispositivo que o mantinha fechado. Depois de anos trabalhando naquele cargo, pela primeira vez Zacarias se sentiu tentado pelo tesouro que carregava. Parecendo hipnotizado, não resistiu a abriu a caixa. Brincos, pulseiras, colares de ouro, prata com diamantes, safiras, esmeraldas, mas a única coisa que chamava atenção era um colar de ouro com um enorme pingente, uma pedra vermelha no formato de coração. Ela estava dentro de uma caixa de vidro, embaixo dela estava escrito “Coração Rubro” e encima “Se esta caixa for aberta, uma grande maldição cairá sobre seu portador por onde quer que ele vá, pelo tempo que permanecer com o Coração Rubro”. Mas a joia parecia também ter outro efeito, ela se fazia ser desejada.
A carruagem chegou no depósito dos impostos e a caixa foi guardada junto com muitas outras. Porém um objeto estava faltando e quando o rei foi avisado, mandou buscar a cabeça do ladrão Enquanto isso Zacarias estava a quilômetros de distância com um cavalo que roubou do estábulo. Ele fugiu e abandonou a esposa e três filhos pequenos, que morreram em um incêndio na casa deles um dia depois. O agora ex-cobrador seguiu sozinho por florestas, vales e desertos, o cavalo morreu picado por uma cobra venenosa. Zacarias não encontrou mais nenhum ser humano, morreu afogado em um rio que tentou atravessar.

Dias depois um pescador encontrou um corpo na água e teve a maior surpresa quando foi carregá-lo para a margem para poder enterrar. Em um dos bolsos ele encontrou um belíssimo colar de ouro com um pingente de pedra vermelha em formato de coração. Ernesto largou o corpo no rio e voltou para o seu vilarejo a pé, enquanto isso o seu barco de pesca desatou a corda e desceu com as águas. Quando estava chegando ele notou um enorme volume de fumaça e muita gritaria, seu vilarejo estava sendo atacado por saqueadores e ele não escapou dessa. Seu tesouro foi roubado justamente pelo líder do bando, que lhe passou uma navalha no pescoço.

Leonardo deu sua nova aquisição para sua mãe, pouco antes do seu esconderijo ser descoberto pela guarda real de Soquenstá e todo o bando ser preso e decapitado. Os pertencentes dos presos ficaram sobre custódia do chefe da guarda, incluindo o Coração Rubro. Julgando que ninguém saberia a quem pertencia, Joaquim retirou a joia das coisas apreendidas e levou para sua casa. Foi um lindo presente para sua filha que fazia aniversário, ela gostou que o usou em um baile no castelo, onde foi vista por um fazendeiro estrangeiro. Por ele Bianca foi raptada, violentada e morta.

Em Eraum, Nicola fez um leilão de seus pertences, incluindo terras, joias, animais, casas; pois de uma hora para outra adquiriu uma dívida impagável com o governo de seu país, e ainda estava sendo investigado pela polícia por vários crimes como sequestro e assassinato. Um rico fazendeiro arrematou a grande maioria das propriedades e as joias, que deu para sua esposa. Assim que terminou suas negociações neste país, Edgar embarcou no grande navio que atravessaria o oceano Atlântico até voltar para a América. Mas pouco antes de aportar o casco bateu em um enorme recife e o navio afundou na costa de onde hoje é conhecido como Suriname e lá permaneceu por séculos guardando a joia de sangue.

Como sei disso tudo? Eles me contaram, todos os que morreram por causa “dela”. Eu também fui uma vítima desavisada.

Eu era um explorador e fiquei fascinado com a notícia que recebi. Um navio naufragado foi localizado na costa do Suriname, possivelmente datado de 1457. Ele afundou contendo milhões em objetos de valor. Contratei uma equipe especializada e em questão de meses já estávamos catalogando cada peça que encontrávamos. Uma em particular brilhava mais que todas as outras, o Coração Rubro, que tratamos com todo cuidado e colocamos em minha exposição particular em casa em Brasília. Porém fui vítima de ladrões que roubaram todas a minhas coleções. Amarraram a mim e a minha família sentados no sofá da sala e nos mataram um por um. Agora Coração Rubro pode estar em qualquer lugar, sem achar nenhum poder que a pare, sem ninguém saber de onde ela veio.

32. Consequências de Bernardo

 “Correr, agora era a única coisa que Bernardo poderia fazer. Acabou de assaltar uma garota que estava sozinha sentada em um banco da orla do lago, ela reagiu e ele assustado por ser a primeira vez, disparou a arma. Saiu desesperado e a deixou caída no chão, jogou a arma na água e ofegante entrou no primeiro ônibus que viu. Quando entrou em casa passou direto para o quarto e escondeu no fundo do guarda-roupas a bolsa que roubou, entrou embaixo do chuveiro e ligou a água gelada, sem tirar a roupa, depois se deitou na cama e pôs-se a pensar no que tinha feito.” Todo suado, acordou no susto do pesadelo que acabou de ter.
Cerca de uma semana depois, Jessie, o seu primo, lhe trouxe uma novidade. A irmã da namorada dele queria conhecer seu primo, só que tinha uma coisa que poderia atrapalhar, ela era rica. O que para Be era uma questão muito grave, pois ele não acreditava que poderia haver relação amorosa verdadeira entre pessoas de classes sociais diferentes. Jessie não estava na mesma situação, a sua namorada e a irmã dela eram filhas apenas da mesma mãe, o pai da outra que era rico e já estava casado com outra mulher.
__ Cara, como você quer me arrumar uma riquinha. Você sabe o que eu penso.
__ É, mas ela gostou de você, mostrei a sua foto. É roqueira igualzinha a ti. Além do mais é apenas um encontro, nada demais.
__ O.k. Pode confirmar. Espero que ela seja gata.
__ Por que não compra um presente? Não precisa ser uma joia, nada disso. Alguma coisa simbólica.
__ Você sabe que eu tô sem grana.
__ Eu te arrumo um agrado.
__ Mais uma vez com essa. Não quero nada que venha do Roberto.
__ Você é que sabe, a dica tá dada. __ A conversa foi interrompida, quando Aline, a irmã de Bernardo, entrou no quarto de surpresa.
O pai deles estava tendo um enfarte e foi levado para o hospital, mas o hospital público daquela região estava superlotado, o jeito foi irem para um particular. Lá ele ficou por um dia em tratamento e outro em observação e teve alta. A conta saiu caríssima e a família não tinha condição nenhuma de arcar com esses custos. A mãe era garçonete em um restaurante pequeno, o pai já estava aposentado e não conseguia emprego pela idade que já tinha, Aline ainda estava no ensino fundamental, Bernardo tinha acabado de sair do reformatório e estava com dificuldade em conseguir emprego. O hospital ainda deu o benefício do pagamento ser feito em parcelas mensais, ainda assim o valor estava muito alto. Jessie chamou o primo para uma conversa em particular e apresentou a única solução viável naquele momento.
__ Eu falei com o Roberto. Você pode fazer um servicinho para ele e se for bem, a dívida com o hospital será responsabilidade dele.
__ Não, não. Já fiquei muito tempo preso por causa dele. Eu fui o único olheiro que a polícia encontrou lá no morro. Jurei que não iria para essa vida de novo.
__ Mas o caso agora era outro. Olha o que está em jogo.
Passaram-se cinco três dias e Bernardo os usou para pensar. Concluiu que não teria saída e foi outra vez para o mundo obscuro que nunca deveria ter ido. Morro do Pombo Cinza, onde roberto era subchefe da quadrilha de traficantes de drogas. Ele usava crianças e adolescentes no seu negócio, como “mulas” fazendo transporte mais raramente e como olheiros prestando atenção na presença da polícia na área, avisando com uma pipa fazendo movimentos. Be estava fazendo esta função quando foi preso e ficou retido por dezesseis meses até completar de dezoito anos.
As ruas do morro eram bem estreitas e escuras em certos pontos e em um desses estava a “boca”. Na entrada tinha dois homens armados, um em cada lado da porta que estava aberta. Após a porta que estava aberta. Após a porta tinha uma pequena sala com uma mulher atrás da mesa.
__ Entre garoto ele está te esperando no escritório.
Seguiu o corredor e entrou no escritório, que estava cheio de exemplares de armas expostas nas paredes. Roberto estava sentado atrás de uma maleta encima e um contador de dinheiro.
__ Você não serve mais para sua antiga função, seu rosto já está conhecido nas ruas. Vou te passar algo diferente, mais perigoso, mas vou te pagar por ter feito um bom serviço no passado. Vai pra rua fazer novos clientes e caso a situação se complique pode usar este brinquedinho aqui. __ Falou mostrando um revólver.
Naquela mesma noite Bernardo foi se encontrar com os caras que estariam com ele, mas área era estranha, pois era a parte central da cidade, ele perdeu quando chegou na orla. Avistou uma garota sentada em um banco e foi pedir informação para ela. Ele estava encapuzado e não dava para ver o rosto, chegou bem perto, mas ela se assustou e começou a gritar. Bernardo tapou a boca dela que tentava se soltar de todo jeito. Um dos capangas de Roberto chegou bem na hora, a menina se soltou e correu para ele pedindo ajuda. Tropeçou e se agarrou na blusa, que escorregou e fez o capuz cair e revelar o rosto do cara.
__ Mas que droga! Quem é essa garota?
__ Não sei. Só vim pedir uma informação e ela se assustou.
__ Agora já era. Ela viu meu rosto.
Não cara. Não faz isso.
O pedido foi inútil, o bandido sacou a arma e atirou no peito dela, que caiu no chão. Bernardo correu até ela e a segurou deitada sem saber o que fazer. O outro cara o puxou pelo braço.
__ Vamos, vai ficar aí? A polícia tá área e já já tá aqui. Quer ser preso de novo?
__ Tá louco cara?! Vai você, eu vou ficar, eu me viro.
__ Você é quem sabe. O que importa é que não sobre pra mim. __ Falou e saiu correndo.
Uma ambulância foi chamada e demorou vinte minutos para chegar. Ele preferiu não ir, pois estava com uma arma e não queria se arriscar mais do que já tinha feito. Meio flutuante, foi para casa, que para sua sorte já estavam todos dormindo e, pelo menos naquele momento, não teria que dar explicações a ninguém. Nessa noite ele não dormiu pensando no que tinha acontecido. A dívida que tinha que pagar, a falta de emprego e agora uma pessoa que poderia estar morta por sua culpa. Queria saber ela estava, mas não tinha como.
Quando amanheceu eles tiveram uma surpresa. Um pastor de uma igreja vizinha chegou na casa deles e lhes entregou um envelope. Ele disse que ali tinha o valor da primeira parcela da dívida; a vizinhança, os moradores, comerciante e as igrejas da área reuniram aquele dinheiro para ajudá-los. Bernardo e a família receberam o presente com lágrimas e ele mesmo resolveu ir até o hospital para pagar. Eles até deram um pagamento feito antes da data. Mas a surpresa maior ainda não tinha acontecido; quando chegou em casa ele recebeu a visita de Jessie e a namorada dele, Carla.
__ Minha irmã era pra ter vindo com a gente, mas aconteceu uma coisa terrível com ela. __ Disse Carla e começou a chorar.
__ A Camila foi baleada ontem à noite. Ela estava lá na orla do lago. Está com a vida por um fio. __ Falou Jessie, sem saber o que aquela informação significava para para o primo, que ficou paralisado. Estávamos no hospital agora, mas a Carla não estava bem e estava muito cansada, então a trouxe para cá. Os vizinhos lá de casa estão fazendo uma reforma e muito barulho, ela não ficaria bem lá.
__ Não. Tudo bem. __ Falou Bernardo voltando a realidade. Mas agora estava com os pensamentos a mil. Será que ela sobreviveria? Se sim, será que reconheceria seu rosto e esta história entre eles que nem tinha começado acabaria.
Os dias que se seguiram foram agonizantes. Roberto mandou um recado dizendo que ele não prestava para o trabalho, mas que o deixaria em paz se ele ficasse calado e ainda assim estaria de olho nele. Camila não mudava seu quadro, permanecia sedada. Em um desses dias Bernardo pediu para ir visitá-la, até então ele ainda não a tinha visto direito. No horário de visitas Carla o levou até o quarto onde a irmã dela estava e o deixou lá. Ele ficou olhando para a menina na cama por vários minutos, depois se aproximou e pegou em sua mão. Sem ele perceber, pois olhava para a janela, ela foi abrindo os olhos.
__ É você! __ Ele abriu os olhos no susto ao ouvir aquilo. __ É você!
Pensando que ela o havia reconhecido daquela noite, Bernardo soltou sua mão e saiu apressado e em seguida Carla entrou com muita alegria, sem perceber o que estava acontecendo. Para ele aquilo tudo estava sendo mais difícil porque não contou nada para ninguém, nem para Jessie. Ele passou em casa, pegou o skate e foi para a rua dar umas voltas para esfriar a cabeça e voltou no fim da tarde. Só tinha a mãe em casa preparando o jantar, sentou no sofá por uns dois minutos e resolveu ajudá-la na cozinha.
__ Notei você diferente nesses dias filho. Está com algum problema que não saibamos?
__ Não se preocupe com isso mãe, eu resolvo tudo. Lembra do nosso combinado? Todo problema tem ser resolvido em família.
__ Olha mãe... Já fiz vocês sofrerem demais, só quero que fiquem em paz. Nós temos outras preocupações agora.
__ A dívida... O meu patrão disse que vai me dar um aumento por ser boa funcionária, mas todos sabem o porquê na verdade. É para nos ajudar.
__ Que bom.
__ Se cuida eim. Não vá se meter com aquela gente outra vez. Se for preso agora, vai pra cadeia de verdade.
Depois de terminar o preparo do jantar Bernardo foi para o quarto e ficou lá até a chegada de Jessie e mais dois amigos.
__ Nós vamos lá no boteco jogar sinuca, quer ir? __ Falou Paulo.
__ Não. Tenho que estudar para o teste. Preciso passar nessa prova para conseguir voltar para a escola.
__ Que isso cara?! Sabemos que está com problemas, mas você precisa voltar para a vida. __ Disse Otávio.
__ Há dias você não sai com a gente. __ Reclama Jessie.
__ Eu tô com a cabeça cheia. Não quero sair agora.
__ O.k. Nós vamos, mas voltamos depois. Ah! A Carla disse que vem aqui amanhã conversar com você. É alguma coisa sobre a Camila.
Tentou estudar, mas não conseguiu. A todo momento vinha o pensamento: qual assunto Carla queria com ele. Será que a irmã contou que o reconheceu, que ele estava lá na noite em que ela foi baleada. Estava com medo de ser preso de novo, mesmo não sendo ele o autor do disparo. Estava com medo da quadrilha de Roberto, dele mudar de ideia e resolver fazer alguma coisa com a sua família. E ainda tinha um fato importante: o tiro que Camila levou foi porque viu o rosto do capanga da quadrilha e agora ela estava viva, pronta para denunciar.
Quando Carla entrou na sala, Bernardo pensou que estava morto. A convidou para conversarem no fundo do quintal onde ninguém incomodaria naquele momento. O coração estava quase saltando.
__ Camila está bem, se recuperando, agora sem sedativos. Ela me pediu para te dar um recado. Quer que você vá vê-la e que não importa o que tenha acontecido, já é passado.
__ Ela te contou? O que aconteceu.
__ Não. Apesar de eu ter insistido. Acho melhor assim, vocês precisam de privacidade. Mas tem uma coisa. Por favor, não a faça sofrer. Ela já levou muita pancada da vida e não precisa de mais uma.
__ Quando posso ir?
__ Agora mesmo se quiser, eu te levo.
__ Quero sim.
Camila estava deitada. Quando a sua visita chegou, ela inclinou a cama e ficou sentada. Bernardo entrou devagar, sem dizer nada, puxou uma cadeira e sentou ao lado da cama. Ainda em silêncio ele não conseguiu olhar nos olhos dela, que pegou uma de suas mão e segurou.
__ A culpa não foi sua. Não foi você que atirou.
__ Eu nem fui junto na ambulância. Estava com medo.
__ Mas você me salvou. Ficou lá comigo até a ambulância chegar.
__ Por que está sendo tão boa assim? Isso é mais torturante ainda pra mim.
__ Gosto de você.
__ Mas nem me conhece.
__ Conheço. Pelo menos pelo que o Jessie fala.
__ Tô preocupado com você. Aquele cara pode voltar para terminar o que começou.
__ Não se preocupe. Falei para todos que não me lembro de quem atirou em mim e que ele estava sozinho.
__ A polícia pode descobrir.
__ Eles não têm pistas, eu sou a única testemunha.
__ Obrigado!
__ Eu sei. Carla e Jessie me contaram. Você pode ser preso novamente. Eu só tenho um pedido para fazer.
__ O quê?
__ Quando eu sair daqui vamos ao cinema? __ Perguntou ela sorrindo e também sorrindo ele respondeu:

__ Claro. Dessa vez um encontro de verdade.

31. Flor e mangaba

 Era início da primavera e a paisagem, antes seca pelo período do inverno, estava belíssima, com flores de todos os tamanhos, formas e cores. O problema era a chegada do verão em que essas flores cairiam e morreriam. Uma pequena flor de mangabeira morria de medo que isso acontecesse, mas não poderia fazer nada, estava presa na árvore.
O tempo passava e junto com ele milhares de flores da magabeira caíam e iam embora com o vento. A florzinha via isso com muita tristeza, tinha muito medo de deixar de existir de ser esquecida. Os dias passavam e ela ficava mais triste, ficava murcha, estava perdendo a cor, a vida. O verão chegou e as últimas flores estavam cumprindo seu destino e tinha chegado a hora da florzinha medrosa, foi o vento fresco da manhã que a levou já seca. Porém a vida nela não acabou ali, foi transferida para outra parte, virou uma pequenina mangaba. A mangaba cresceu no verão e na metade do outono caiu no chão e ficou lá durante o inverno e o início da próxima primavera. Após a primeira semana de chuvas brotou uma nova mangabeira.

30. Dog, o gato

 O dia estava lindo para passear e seu Mariano percebeu isso assim que acordou. Tomou seu café da manhã, colocou a coleira em Dog e saiu. Foi andando pela calçada e chegou até a praça do seu bairro, que estava cheia, de pessoas e de animais de todos os tipos. A maioria das pessoas olhava para ele com estranheza, outras achavam graça e riam, é que Mariano tinha a peculiaridade, na verdade o Dog que tinha, apesar do nome ele não era um gato. Desde filhote ele foi criado como um cachorro e cresceu pensando ser um. Houve vezes em que seu miado soou como um latido. Ele protegia o dono com ferocidade, enfrentando até mesmo cães perigosos. Quando alguém lhe dizia que ele era um gato ele pulava encima com muita raiva.
Sua realidade mudou quando chegou em uma fase crucial em sua vida. Estava envelhecendo e precisava de uma companheira, mas nenhuma cadela o quis. Em um certo dia ele estava passando em frente a um prédio espelhado e parou para olhar o seu reflexo, se olhou detalhe por detalhe para saber o que ele tinha de diferente dos outros cães. Esteve distraído por vários minutos, até que percebeu a presença de um animal com traços idênticos aos seus. Ele foi até lá, o outro estava revirando uma lata de lixo. Quando saiu, os dois ficaram frente a frente, aí Dog percebeu que o outro era uma fêmea e finalmente aceitou que era um gato, mas sem deixar a identidade que já tinha.

Dog levou a gata para casa, Mariano a recebeu com alegria. Eles tiveram várias ninhadas que se espalharam pela vizinhança, mas alguns ainda ficaram. Como eram muitos, passaram passear sem coleira, mas vários gatinhos com espírito de cachorro.

terça-feira, 8 de abril de 2014

29. A cerca

 No condado de Lox a paz reinava. Há muito tempo existiu uma criatura que aterrorizava a região, mas ninguém soube como ela parou de atacar. Na verdade era um homem que foi enfeitiçado e foi transformado, ficando da cintura para baixo com o corpo de gorila e da cintura para cima com o corpo de leão. Ele era devorador, e dezenas, centenas de pessoas desapareceram em um ano que ele esteve livre. O que ninguém sabia era que o que estava contendo ele agora era a cerca em volta de uma casa antiga em ele estava. Ele não podia sair dali senão voltaria a querer atacar as pessoas.
Para a má sorte dos cidadãos de Lox a feiticeira que criou o monstro descobriu que ele estava preso. Disfarçada de uma jovem ela foi até a cerca e ficou chamando por sua criatura que resistia e não saía. Cada dia ela assumia uma forma diferente, uma jovem mais bela que a anterior, porém ele resistiu. Até que a feiticeira teve sua melhor ideia, assumiu a forma de Milena a antiga namorada do rapaz. A essa ele não resistiu, quebrou uma estaca da cerca e passou, quando se aproximou sua amada se transformou em seu pesadelo.
__ Está livre para cumprir sua missão.

A criatura voltou a atacar, só que para a decepção da feiticeira o que ele atacou foi ela, comendo a sua cabeça. O feitiço foi quebrado e enfim George pode voltar para casa, onde todos pensavam que já estava morto, pelo tempo que ficou desaparecido. Com medo de ser morto pela população, ele se mudou com a sua família para outro lugar, onde ninguém os conhecia.

28. Um pinguim no Jalapão

 Em um canto da Antártida um pinguim inconformado com sua natureza, fez a seguinte questão: por que pinguins têm que viver em lugares fechados? Qual seria problema em sentir calor. Por causa de sua indagação Jones era motivo de chacota dentre as pessoas de sua colônia. Mas um dia a própria natureza resolveu pregar-lhe uma peça. Quando estava em mais de suas pescas, um pássaro tentou roubar sua pesca, ao tentar evitar ele escorregou e caiu na laguna. Tudo estaria normal, se não fosse o fato de a água ter começado a soltar bolhas e Jones foi puxado por um rodamoinho para o fundo e mais fundo. Mas este não existia, o pinguim continuou sendo puxado e ele pensando que já estava morto. A força o jogou para fora da água, só que não estava mais na Antártida. A água não estava gelada, o vento não era gelado e quando abriu os olhos viu algo que nunca tinha visto: árvores, muitas árvores. Óbvio que estranhou aquele lugar, mas ficou feliz por finalmente realizar seu sonho, sentiria calor. Rapidamente saiu da água e partiu para sua exploração em busca de algum animal que poderia lhe dizer onde exatamente estava. Andou por alguns minutos até encontrar uma cobra que não lhe deu a mínima atenção, ela passou se arrastando e sacudia a ponta do rabo fazendo um barulho semelhante ao de um chocalho. Continuou a andar pela mata até chegar a um outro tipo de vegetação, era baixa com folhas finas e muito compridas e a maior parte estava seca, era capim. Lá ele encontrou um grupo de animais, eram emas. Primeiro elas correram assustadas, depois uma curiosa voltou e as outras a acompanharam em seguida.
__ Quem é, ou o que é você?
__ Nunca vimos nada desse tipo por aqui.
__ Sou Jones, um pinguim.
__ Um pin o quê?
__ Um pinguim. Eu vivo no polo sul, um lugar muito gelado e muito branco.
__ Se é de um lugar gelado, o que faz aqui?
__ Sempre quis saber como é calor. Mas acabei parando aqui sem querer, a água me trouxe.
__ Ah! Mais um. __ Disse uma das emas.
__ Como assim mais um?
__ É que há dois meses apareceu um elefante dizendo a mesma coisa. Deve ter alguma coisa misteriosa acontecendo com aquela lagoa. Já tentamos, mas não conseguimos fazer ele voltar para casa.
__ Não sei se quero voltar para casa. Lá todos dizem que sou louco só por querer sentir calor.
__ Vamos levar ele para conhecer Java.
__ Não. Você sabe como ele é com relação a estranhos aqui.
__ É melhor agora do que ele descobrir que a gente já sabia.
__ É melhor o senhor montar em mim, porque com essas perninhas não vai muito longe. __ Jones tentou de todo jeito subir nas costas da ema, foi preciso outras emas o ajudarem com a cabeça. E lá se foram sete emas e um pinguim nas costas.
__ As senhoras poderiam me dizer onde estou.
__ Me respeite rapaz que sou macho. __ Falou umas das emas.
__ Desculpe senhor, não sabia. __ Enquanto isso as outras emas caíram na risada.
__ É melhor prestar mais atenção se quiser sobreviver aqui. __ Disse a ema macho. __ O senhor está no lugar que os humanos chamam de Jalapão, num país chamado Brasil.
__ Nossa! Então fui parar muito longe. __ Falou e ficou pensativo. __ Quem é Java.
__ Java é o líder dos animais dessa região, ele comanda tudo por aqui.
__ Ele é um caititu que diz que é um javali, só porque o nome é mais bonito. __ Falou a ema macho.
__ Quem disse isso? __ Uma voz grave se espalhou por aquele ambiente e fez as emas paralisarem.
__ Perdão mestre. __ Falou a ema macho.
__ Fale dessa forma outra vez e verá o que irá te acontecer.
__ Sim senhor.
__ Mas que criatura é esta? __ Falou o caititu que finalmente se mostrou e deu um susto em todos, fazendo-os dar um pulo para trás e Jones caiu de costas no chão.
__ Não sabia que eu era tão feio assim. __ Falou Java, enquanto os outros se recuperavam do susto. __ Então, me digam que tipo de animal é este?
__ Um pinguim, senhor. Ele veio de um lugar gelado chamado Antárdida.
__ Chegou aqui do mesmo jeito que o Carlos, o elefante africano.
__ Que azar eim meu filho. __ Falo Java. __ Venha conosco para a grande reunião, estamos justamente tentando uma forma de fazer o Carlos voltar para casa, você também poderá voltar.
__ Não quero voltar. Ninguém lá gosta de mim. Além do mais, estou realizando meu sonho, estou sentindo essa temperatura boa, quentinha.
__ Já que prefere assim. Bem-vindo a nossa comunidade. É melhor irmos agora, pois já vai anoitecer.
Na grande reunião a raposa apresentou a solução para o elefante. Um pouco antes de Jones chegar, uma capivara também chegou nas redondezas pela mesma forma. Ela tinha entrado na água e foi parar na China e depois voltou. E ficou claro para todos, segundo o que ela falou, que para retornar era necessário apenas entrar na água, exatamente no lugar em que saiu. No dia seguinte uma parte dos animais acompanhou o elefante até o rio e presenteou sua volta para casa. O pinguim ainda continuou lá, porém depois de alguns dias começou a sentir saudade de casa, além disso passou se sentir mal, sentia tonturas. Piorava a cada dia que passava, o calor era demais para ele, precisava voltar para casa mesmo sem querer. A assembleia dos animais decidiu que Jones voltaria para a Antártida com a companhia de uma das emas.
Eles pularam na água, que borbulhou até engolir os dois e a força os puxou diretamente para as águas geladas do polo sul e saíram na laguna que iniciou a aventura. Os dois animais ficaram na beira da água desacordados por horas e não perceberam quando apareceram dezenas de pinguins e os arrastaram para a colônia. Jones acordou com tontura, demorou um pouco a lembrar o que tinha acontecido, até que...
__ Charlote! Charlote! Onde está você?
__ Calma filho. Sua amiga já está acordada um bom tempo e está passeando com as suas irmãs.
__ Mãe. Que saudade de você, e do papai. __ Os três deram um longo abraço.

Jones estava feliz em voltar, pois se deu conta que cada animal tinha sua natureza, seu hábitat natural. Para ele não deu certo, mas ema Charlote conseguiu se adaptar e resolveu ficar por lá. Mas de tempos em tempos os dois e mais um grupo pulava na laguna e iam visitar os amigos no Jalapão. Ficaram tempo suficiente para não ficarem doentes, mas nem todos os animais do cerrado argumentaram o frio Antártico. Eles também viajaram para visitar Carlos na África. Essas viagens foram feitas por gerações, até serem esquecidas completamente.