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quinta-feira, 14 de março de 2013

11. Patricinha na roça

Quem diria que um dia eu iria gostar deste lugar. A Mariana deve estar morrendo de rir de mim. Mato, cobra, mosquito e nenhum shopping: essas foram algumas das coisas que tive que encarar quando minha família se mudou para o interior do Tocantins. Deixar a mordomia da cidade grande não foi fácil.
Meus pais sempre me deram tudo. Meu pai trabalhava em um banco e depois de muitos anos de trabalho ele começou a ficar muito estressado. Até que um dia decidiu se aposentar e mudar para uma cidade mais calma. No começo minha mãe não gostou muito dessa ideia e eu odiei. Não tivemos escolha, mau pai precisava de sossego.
Imagine uma patricinha como eu numa fazenda. Tive que ordenhar vacas, cuidar dos cavalos, cheguei a topar com uma cobra enorme. O bom dessa história toda é que meu pai, com medo de eu fazer alguma besteira, colocou um supervisor. Chamou o filho do dono da fazenda vizinha para me vigiar. No começo eu não sabia, descobri no dia que encontrei a cobra. Ele apareceu por trás de mim enquanto eu gritava loucamente e com uma vara jogou a peçonhenta longe. Fiquei paralisada vendo aquela cena, de tão nervosa quase caí porque minhas pernas não se moviam. O Gabriel teve que me levar no colo até em casa. Nossa! Que mico e pensa no desespero da minha mãe quando me viu naquela situação.
Depois de um ano consegui me acostumar com isso tudo aqui e eu mesma tiro as cobras do caminho. De vez em quando volto para São Paulo a passeio, reencontro velhos amigos. Ah! Eu e o Gabriel estamos juntos. Meus pais tentaram me fazer desistir, mas não conseguiram e agora me apoiam, pois perceberam que ele é um bom rapaz. E ainda investimos em um novo negócio: transformamos a fazenda em um ponto turístico. A vida aqui na roça é emocionante.

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