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quarta-feira, 13 de março de 2013

6. Eu e eles


     Hoje não foi diferente de ontem, ou anteontem. Fui encostado na parede, xingado e jogado no chão. Mas tenho que aguentar, minha família não tem condições para mudar de bairro e a outra escola que fica mais próxima tenho que pegar dois ônibus para chegar lá. Sei que um dia isso vai acabar.
          Ter conseguido bolsa num colégio particular não foi fácil, mas difícil mesmo é conseguir ficar lá. Tenho vários amigos, alguns até visitam a minha casa. O problema é que os garotos do segundo ano não gostam de mim. Dizem que é porque sou negro e pobre. Caí da escada, escorreguei e caí no chão, essas são algumas das desculpas que tenho que dar para meus pais, não quero preocupa-los eles já tem mais problemas para cuidar, como conseguir pagar as contas de luz e de água. Eu sei que um dia conseguirei me formar e tirar minha família daqui.


        Sim, minha família mudou, ela mudou sua rotina. Pouco tempo antes da formatura levei minha última surra daqueles caras. Passei um ano em coma profundo, depois só me movimentava com cadeira de rodas, tomava remédios praticamente a cada meia hora, todos os dias. Para cuidar de mim, minha mãe teve que deixar o emprego, meu irmão tentou ajudar, só que ele tinha apenas 10 anos, fazia o que podia. Porém as coisas começaram a melhorar quando ganhamos o processo contra as famílias daqueles que me deixaram neste estado.
       Bom, hoje não foi diferente de ontem, ou anteontem. Depois de uma adolescência cheia de emoções, agora tenho muito mais emoções. As ações da minha empresa não param de subir e agora a Rebeca está grávida outra vez, serei pai de gêmeos. Como já ensinei a Tatiana também ensinarei a eles que não se deve ter preconceito com ninguém, pois todos são iguais e todos são diferentes.

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