A
família Cardoso estava toda presente em sua reunião anual. Todos, dos mais
velhos aos mais novos, jogaram futebol, vôlei e golfe. As crianças e os jovens
se divertiram com os animais da fazenda e subiram e árvores. É sempre um ritual,
uma tradição, que último dia de reunião, à noite, todos se sentam para ouvir as
histórias contadas por um membro do encontro, a dona Marcê.
__
Hoje vou contar três histórias. Duas delas aconteceram comigo e a outra me
contaram. Esta primeira é mais recente.
“Era
hora de almoço e não tínhamos mistura. Pedi ao Alvino pra tirar algumas
minhocas que iria pescar. Ele tirou apenas três, na hora eu não falei nada,
mas... Aí eu peguei a vara, que era bem grande, e saí correndo pelo pasto até
chegar no brejo. Tinha o lugar que eu lavo e mais embaixo um poço, lá tinha
cinco tubaranas, elas são espertas, por isso me escondi atrás de um pé de
buriti. Assim coloquei uma minhoca no anzol e joguei, assim que entrou na água
a isca foi fisgada por umas das tubaranas grandes. Foi coisa de menos de dois
segundos eu puxei o peixe pela linha e joguei lá no pasto, fui lá e tirei o
anzol e a minhoca estava quase inteira ainda. Com a mesma isca eu pesquei a outra
tubarana grande e eu fiz a mesma coisa. A história se repetiu com terceira tubarana,
exceto a minhoca que dessa saiu do anzol e se perdeu. Assim, coloquei a outra
minhoca e incrivelmente aconteceu a mesma com as últimas duas tubaranas que
eram menores, estas com a mesma minhoca. Tudo isso aconteceu de dois minutos.
Terminada a pescaria, corri pra casa. Chegando lá o Alvino perguntou:”
“__
Uai! Não foi pescar não?”
“__
Fui, olha aqui os peixe.__ E mostrei os peixe no gancho de pau. Pra ele aquele
tempo não dava pra nada.”
“Eu
posso ter me esquecido de outras coisas, mas disso não me esqueço nunca.”
__
A segunda história é mais antiga.
“Eu
fui pescar no rio Crixá com Ana, a Raimunda e umas amigas. Eu sou sem
paciência, quando eu jogo a isca o peixe já tem que pegar ela, senão eu largo
de mão. Nesse dia eu joguei a isca e o peixe logo fisgou. E esse era grande viu!
Aí eu segurei a linha e comecei correr sem parar pela praia, pra poder tirar o
peixe da água. Só que eu não percebi que o peixe tinha escapado e o anzol tinha
pegado o dedo da Raimunda. Aí fui eu doida correndo puxando ‘o peixe’ e a
Raimunda correndo atrás gritando: __ Cumade, Cumade, para!”
“__
E não escutei nada. Até que eu tropecei num toco e caí e a Raimunda parou e
disse: __ Graças a Deus!”
Todos
os que ouviram a história não pararam de rir.
__
Vocês querem ouvir a outra ou não? Então façam silêncio.__ Disse Marcê
colocando ordem na situação.
__A
terceira aconteceu com cumpade Manuel.
“Certo
dia o Manuel tava sentado no banco da praça e passou um vendedor de
guarda-chuva e ele comprou um. Mais tarde apareceu outro.”
“__
Senhor, quer comprar um guarda-chuva?”
“__
Não, já comprei um.”
“__
Então compra um guarda-sol.”
“E
ele comprou mesmo. Só que não demorou muito a chuva começou a cair. Ele olhou
para um, olhou pro outro e ficou sem saber qual era o guarda-chuva e qual era o
guarda-sol. Acabou não abrindo nenhum e se molhou todo.”
Todos
se divertiram bastante com as histórias da tia Marcê. Tranquilos, dormiram e no
dia seguinte foram para suas casas na cidade. Ficaram somente Marcê e Siliverti
sentados na área e Alvino pastorando as ovelhas.
História baseada
em fatos reais.

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