Powered By Blogger

terça-feira, 12 de março de 2013

3. Historinhas de Marcê



A família Cardoso estava toda presente em sua reunião anual. Todos, dos mais velhos aos mais novos, jogaram futebol, vôlei e golfe. As crianças e os jovens se divertiram com os animais da fazenda e subiram e árvores. É sempre um ritual, uma tradição, que último dia de reunião, à noite, todos se sentam para ouvir as histórias contadas por um membro do encontro, a dona Marcê.
__ Hoje vou contar três histórias. Duas delas aconteceram comigo e a outra me contaram. Esta primeira é mais recente.
“Era hora de almoço e não tínhamos mistura. Pedi ao Alvino pra tirar algumas minhocas que iria pescar. Ele tirou apenas três, na hora eu não falei nada, mas... Aí eu peguei a vara, que era bem grande, e saí correndo pelo pasto até chegar no brejo. Tinha o lugar que eu lavo e mais embaixo um poço, lá tinha cinco tubaranas, elas são espertas, por isso me escondi atrás de um pé de buriti. Assim coloquei uma minhoca no anzol e joguei, assim que entrou na água a isca foi fisgada por umas das tubaranas grandes. Foi coisa de menos de dois segundos eu puxei o peixe pela linha e joguei lá no pasto, fui lá e tirei o anzol e a minhoca estava quase inteira ainda. Com a mesma isca eu pesquei a outra tubarana grande e eu fiz a mesma coisa. A história se repetiu com terceira tubarana, exceto a minhoca que dessa saiu do anzol e se perdeu. Assim, coloquei a outra minhoca e incrivelmente aconteceu a mesma com as últimas duas tubaranas que eram menores, estas com a mesma minhoca. Tudo isso aconteceu de dois minutos. Terminada a pescaria, corri pra casa. Chegando lá o Alvino perguntou:”
“__ Uai! Não foi pescar não?”
“__ Fui, olha aqui os peixe.__ E mostrei os peixe no gancho de pau. Pra ele aquele tempo não dava pra nada.”
“Eu posso ter me esquecido de outras coisas, mas disso não me esqueço nunca.”
__ A segunda história é mais antiga.
“Eu fui pescar no rio Crixá com Ana, a Raimunda e umas amigas. Eu sou sem paciência, quando eu jogo a isca o peixe já tem que pegar ela, senão eu largo de mão. Nesse dia eu joguei a isca e o peixe logo fisgou. E esse era grande viu! Aí eu segurei a linha e comecei correr sem parar pela praia, pra poder tirar o peixe da água. Só que eu não percebi que o peixe tinha escapado e o anzol tinha pegado o dedo da Raimunda. Aí fui eu doida correndo puxando ‘o peixe’ e a Raimunda correndo atrás gritando: __ Cumade, Cumade, para!”
“__ E não escutei nada. Até que eu tropecei num toco e caí e a Raimunda parou e disse: __ Graças a Deus!”
Todos os que ouviram a história não pararam de rir.
__ Vocês querem ouvir a outra ou não? Então façam silêncio.__ Disse Marcê colocando ordem na situação.
__A terceira aconteceu com cumpade Manuel.
“Certo dia o Manuel tava sentado no banco da praça e passou um vendedor de guarda-chuva e ele comprou um. Mais tarde apareceu outro.”
“__ Senhor, quer comprar um guarda-chuva?”
“__ Não, já comprei um.”
“__ Então compra um guarda-sol.”
“E ele comprou mesmo. Só que não demorou muito a chuva começou a cair. Ele olhou para um, olhou pro outro e ficou sem saber qual era o guarda-chuva e qual era o guarda-sol. Acabou não abrindo nenhum e se molhou todo.”
Todos se divertiram bastante com as histórias da tia Marcê. Tranquilos, dormiram e no dia seguinte foram para suas casas na cidade. Ficaram somente Marcê e Siliverti sentados na área e Alvino pastorando as ovelhas.

História baseada em fatos reais.



Nenhum comentário:

Postar um comentário