Encima
de uma mesinha num canto da sala de estar o senhor Suniz guarda uma caixa
pequena. Ninguém podia abri-la. O que teria dentro dela um grande mistério que
nem o próprio dono sabia.
Um
dia Suniz estava saindo de seu jogo de boliche de todas as tardes e em meio aos
seus devaneios acabou passando direto pelo ponto de ônibus em que deveria estar
para poder ir para casa. Foi perceber somente quase três quarteirões depois,
mas já era tarde, pois o ônibus acabara de virar uma esquina muito distante e
sumira. E para piorar não estava com dinheiro o suficiente para pegar um taxi,
se viu obrigado a ir a pé. Naquela hora a avenida estava muito movimentada. Um
ciclista passou raspando por ele, teve vontade de soltar um palavrão, mas o
ciclista foi muito rápido e sumiu.
De
repente começou a sentir um fedor que aumentava a cada metro que andava,
descobriu a origem entre dois prédios em um beco que apesar de ainda ser dia
estava escuro. Ficou olhando por um longo tempo. Para sua surpresa, por trás de
um latão de lixo apareceram duas mão humanas pequenas. Curioso, ele entrou no
beco pisando em poças de lama, o lugar estava imundo. Suniz andou bem
devagarinho, quando chegou perto viu que era uma jovem garota, deveria ter no
máximo quatorze anos. Suas roupas estavam velhas e bem sujas, roupa masculina,
cabelos compridos, escuros e despenteados. Sentada no chão a garota estava
desenhando com carvão num pedaço de papelão. Assustou-se com a presença do
estranho e se encolheu.
__
Por favor, não se assuste_ falou Suniz tentando acalmar a garota. __ Qual é seu
nome?
__
Yara_ falou a menina voltando a desenhar. O desenho era uma paisagem campina e
no fundo montanhosa.
__
Que desenho lindo_ pausa. __ Yara, você já comeu Hoje?
__
Não. Tenho que terminar este desenho, depois vou terminar este desenho, depois
vou vender e assim conseguir alguma comida_ respondeu. Suniz ficou pensando,
tentando imaginar como ajudaria aquela jovem.
__
Então... Venha comigo. Minha mulher muito bem.
__
Como?!
__
É, venha comigo. Minha casa é pouco longe, mas vale a pena.
__
Está falando sério?
__
Estou.
__
Obrigada senhor...
__
Fernando Suniz, mas todos me chamam de senhor Suniz.
__
E como gostaria que o chamasse?
__
É... Bem... Como gostaria... Na verdade eu gostaria de chamado de Fernando.
__
Então, muito obrigada senhor Fernando.
__
Gostou? __ Perguntou a senhora Renata Suniz.
__
Sim, está maravilhoso_ respondeu Yara que estava se deliciando com a lasanha à
bolonhesa.
__
Renata pode vir um momentinho aqui_ Fernando estava na sala de estar. Renata
foi até lá.
__
O que foi meu bem?
__
Sabe. Eu estava pensando que ela poderia ficar com a gente.
__
Eu também. Simpatizei-me com ela. Ainda mais, ela gostou da minha comida.
__
Vamos perguntar se ela quer ficar_ disse Fernando já se levantando do sofá. Os
dois foram para a cozinha.
__
Mas é claro que sim. Eu sou tão grata a Deus.
__
Seja bem-vinda a família_ disseram Renata e Fernando enquanto os três se
abraçavam.
Levou
algum tempo até Yara ser adotada legalmente. Assim pode ter documentos e
começou a estudar e recuperar o tempo perdido.
Fernando
estava olhando Yara desenhar, desviou o olhar e lá no canto viu a caixa encima
da mesa, pensou um pouco e viu que já era hora de abri-la, então pegou ela e
sentou-se ao lado da menina.
__
Guardo esta caixa desde os meus dezoito anos, um presente do meu falecido avô.
Ele me disse pra abrir quando tivesse um filho, mas nós não conseguimos ter um,
até você aparecer.
__
Nossa! Finalmente vai abrir essa caixa. __ Diz Renata sentando-se ao lado do marido.
__
É, sei que todos querem saber o que tem aqui. Agora, vamos lá. __ A caixa foi
aberta. Dentro havia uma chave com uma plaquinha de metal pendurada e um
envelope com uma carta.
__
O vovô dia aqui que esta chave é do cofre dele. Que é para eu ir lá abri-la e
que e o que tiver será meu e posteriormente do meu filho ou filhos.
__
Minha nossa! __ Diz Renata.
__
Vamos lá. Vamos todos_ diz Fernando.
A
família Suniz foi até o banco indicado na carta, havia uma autorização para que
Fernando abrisse e retirasse qualquer objeto contido na gaveta. Uma caixa
preta, parecendo de madeira, contendo várias joias de ouro, prata, diamantes,
rubis, esmeraldas. Ela foi novamente guardada agora em uma conta no nome de Fernando.
Quando saiu de lá estava pálido e sem voz.
__
Meu bem! O que foi?
__
Fala alguma coisa papai.
__
Bem. Vamos para casa, conto tudo lá.
Chegando
em casa as duas ficaram sabendo da história quase inacreditável.
__
Mas por que ele não deu essa caixa para sua mãe. Caramba! Sua família viveu em
dificuldade por décadas tendo esse tesouro tão perto.
__
Sinceramente não sei. Diziam que ele era perturbado desde jovem. Ninguém da
família sabe onde ele esteve e o que fez. Ele esteve desaparecido dos dezessete
aos trinta dois anos.
__
Uau! __ Diz Yara.
E
você já decidiu o que e vai fazer? O que vamos fazer.
__
Bem. Primeiro eu vou pedir orientação do Ralf.
__
Só sei de uma coisa, precisamos de uma casa nova e de um carro. Já que essa
família aumentar.
__
O quê?! __ Yara ficou de boca aberta e Fernando desmaiou.
Com
ajuda de Ralf e outros amigos a família Suniz montou uma grande empresa. E
ainda uma instituição beneficente que ajuda moradores de rua a saírem dessa
situação. Yara ganhou dois irmãos, Alessandro adotado com dez anos e Maria
nascida de Renata.
Na placa da chave que
havia dentro da caixa, aquela primeira guardada por Fernando, havia uma frase
que a família pediu pra colocarem na entrada do Instituto Suniz: Ame a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a ti mesmo.
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