Ana
e Fernando eram duas crianças de dez anos, divertidas e animadas. Ana era
branca, de classe média alta, Fernando era negro, pobre e morava numa favela.
Os dois se conheceram numa colônia de férias e entre eles nasceu o amor
fraterno, como se fossem irmãos. Todas as dinâmicas faziam juntos. Chegou o dia
de cada um ir para sua casa, mas eles foram espertos, casa um pegou o endereço
e telefone do outro.
Uma
semana depois Fernando tentou ligar para Ana. __
Alô! É da casa da Ana?
__
É sim_ respondeu uma voz feminina.
__
Ela está?
__
Ela está na escola.
__
Ah tá! Ligo depois. __ Desligou o telefone.
“Vou
até a casa dela depois que ela chegar”. Às onze e meia Fernando já estava na
frente da casa da amiga. Ele esperou certo tempinho para ver se Ana aparecia no
jardim, mas não apareceu. Levou um susto quando um carro buzinou atrás dele.
__
Fernando_ gritou Ana da janela do carro. Filha o que eu já disse_ falou a mãe
de Ana. __ Não quero que fique falando com crioulos, eles são traiçoeiros.
__
Isso não é verdade_ disse Ana.
__
Vamos_ disse a mulher entrando com o carro.
Fernando
começou a chorar desesperadamente.
__
Por que fez aquilo?
__
Isso é pro seu bem. Sei o que está fazendo. Você está proibida de ver aquele
torradinho.
Ana
correu pro quarto e bateu a porta.
__
O que eu faço Glauco? Há dias ela não come, não bebe direito.
__
Ela tem que se alimentar. E você deve leva-la para fora de casa, para respirar
ar fresco. Mariana você não pode fazer isso com ela, essa criança precisa de
amigos_ falou o médico, que também é amigo da família.
__
Eu posso até leva-la ao parque, mas não permitirei que se aproxime daquele
torradinho.
Mariana
levou a filha ao parque. A menina até que se alegrou um pouco, mas se lembrou
de Fernando e logo a tristeza voltou a tomar se rosto. Porém não durou muito,
pois ela o avistou a menos de cem metros de distância. Tentou correr, mas sua
mãe a segurou.
Fernando
correu na direção de Ana. Mas a mãe dela o olhou com desprezo.
__
Saia daqui moleque sujo, não vê que aqui não o seu lugar?
__
A senhora é monstro sem coração, não merece ter uma filha igual a Ana. Ou será que
eu que sou o monstro e não mereço viver?
__
Vá embora, não te quero aqui.
Ana
com raiva e lágrimas no rosto consegue se soltar e sai correndo em direção à
avenida, que naquele momento estava muito movimentada. Num impulso Fernando correu
atrás dela. Sem olhar para os lados, Ana começa a atravessar a avenida. Isso
quase provocou uma fatalidade, porque um carro ia atropela-la, mas Fernando
conseguiu chegar a tempo, ele pulou e a empurrou para a calçada.
Mariana
chegou ao local muito preocupada com a filha. Infelizmente, na queda, Fernando
acabou cortando o braço e perdeu muito sangue. O motorista do carro parou para
ajudar e levou todos para o hospital.
__
A menina está bem. Mas o garoto perdeu muito sangue e precisa fazer uma
transfusão urgente. Sangue tipo A negativo e infelizmente está em falta_ diz a
médica.
__
Mamãe é o seu sangue.
__
Nem pense nisso menina.
__
A senhora vai deixar essa pobre criança morrer. A criança que salvou a vida da
sua filha_ diz o homem que quase atropelou Ana. Mariana abaixou a cabeça e
começou a pensar.
__
Mamãe, o que importa não é cor e sim o coração. Um dia eu ouvi o tio Rafa falar
que um homem tinha matado a própria mãe e ele era branco. O Fernando é negro
sim e tem coração bom. E hoje salvou a minha vida.
Com
nó na garganta Mariana diz: __ Está bem.
Anos
depois Ana e Fernando se formaram na faculdade e enquanto trabalhavam, participavam
de uma organização pelos direito humanos e anti-racismo/xenofobia.
ÍNDIOS, BRANCOS e NEGROS
Todos
somos filhos de Deus
Este eu escrevi quando estava mais ou menos da oitava série para o primeiro ano. Minha professora de língua portuguesa até usou ele em uma atividade em outra turma.
Este eu escrevi quando estava mais ou menos da oitava série para o primeiro ano. Minha professora de língua portuguesa até usou ele em uma atividade em outra turma.

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